eliane.torres 01 de junho de 2017 at 17:27h

Workshop debate situação e acolhimento de estrangeiros no município

Você já tentou se imaginar vivendo como um estrangeiro? Com aquele olhar da sociedade te julgando porque você é de outro país e não sabe falar a língua deles? Com esse intuito de dar um suporte maior para os estrangeiros no município as secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social, a Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Ordem dos Advogados do Brasil (AOB), colégio Incomar e voluntários realizam na manhã desta quinta-feira (01), no Museu Willy Barth, um encontro entre seis haitianos que moram no município.

O objetivo desse encontro foi pensar alternativas de serviços de assistência social aos imigrantes. Há uma estimativa que a cidade conte hoje com 2.000 haitianos e 800 senegaleses. “Estamos chamado esse encontro de workshop, no sentido de se pensar alternativas de serviço para oferecer aos haitianos e senegaleses”, comenta a secretária da Educação, Janice Salvador.

Janice reforça que o número de imigrantes em Toledo está aumentando e é preciso pensar em serviços de educação, saúde, assistência social e trabalho para essas pessoas. “Essa iniciativa é uma força tarefa, exatamente porque reúne pessoas preocupadas com as condições que os imigrantes estão passando em Toledo”.

Deste encontro, apenas alguns haitianos participaram para explicar as necessidades de todo o grupo que vive no munícipio. “Nós já programamos outro evento para o próximo sábado (03), às 15h, para que todos os imigrantes interessados possam participar, para assim pensarmos em uma ação educativa de montar turmas de ensino da língua portuguesa”, explica a secretária.

A educação tem esse papel de promover o desenvolvimento cultural e social na vida das pessoas. “Os imigrantes geralmente vêm de países que são extremamente explorados. Por isso devemos promover essas discussões para dar uma atenção e um suporte maior para eles. Com esse encontro o nosso objetivo é não pensar para eles, mas pensar com eles, para que assim eles se sintam inseridos na nossa sociedade” expõe Janice.

O haitiano Techmany Ismael está no Brasil a 2 anos e 4 meses, mas em Toledo há 2 anos. “Eu estava desempregado e precisava de um emprego, por isso decidi vir para o Brasil. A situação lá no meu país é muito complicada, por isso eu vim para Equador, depois Peru, e aqui no Brasil eu passei por Acre, São Paulo, Cascavel e Toledo”.

Ismael explica que a maior dificuldade dos imigrantes e com a questão da língua. “Eu cheguei aqui sem saber falar a língua portuguesa e era muito difícil eu conseguir me comunicar, às vezes andava pela rua para procurar um haitiano que soubesse falar o português para me ajudar”.

O haitiano salienta que o Brasil é um país ‘legal’, porém falta o acolhimento por parte dos brasileiros. “E muito difícil você se mudar para um país totalmente diferente, onde ninguém fala a sua língua. Sem contar que sentimos muita insegurança, por questões do trabalho e de local para morar”.

Ismael reforça que essa falta de acolhimento também vai de encontro aos preconceitos estabelecidos. “Às vezes eu ouço de alguns brasileiros: ‘esses estrangeiros vieram pegar as vagas de trabalho dos brasileiros, ou, ‘eles não fazem nada, não tem estudo’, é muito dolorido você viver com esses preconceitos, até porque a maioria de nós tem o ensino médio completo e alguns até o superior, como eu, que sou formado em Comunicação Social”.

Sobre essa ação promovida no município, Ismael se mostra motivado. “Vamos nós sentir aceitos na sociedade, até pelo fato que essa atividade visa ensinar a língua portuguesa para nós. Porque se não sabemos falar o português como vamos conseguir emprego? Por isso acredito que será um sucesso para ambos os lados”.

O professor da Unioeste, Edson Marques Oliveira, comenta que esse projeto faz parte de uma extensão universitária. “A ideia e exatamente colocar em prática o conceito social para questão de criar uma política de assistência para os estrangeiros”, coloca o professor.

Edson explica que o papel da universidade, do ensino superior principalmente o público é não apenas apresentar a teoria, mas mostrar a realidade. “Enquanto instituição pública, temos que inteirar conhecimento, com vontade comunitária e de fato fazer a diferença na vida não somente dos estrangeiros, mas da nossa também, porque ao cuidar dele estamos cuidando de nós”, finaliza. 

 

Texto: Nubia Hauer