comunicacao.fabio 13 de Abril de 2022 at 14:57h

SMDH lança campanha do X Vermelho para combater a violência contra as mulheres

Em evento com representantes de diversas entidades e instituições, a Secretaria de Políticas para Infância, Juventude, Mulher, Família e Desenvolvimento Humano (SMDH) lançou para o ano de 2022 a Campanha Sinal Vermelho para a Violência Doméstica. O intuito é promover uma articulação intersetorial para garantir os direitos e combater todos os tipos de violência contra as mulheres, além de fortalecer a rede de proteção por meio de campanhas e demais ações com este fim. A cerimônia teve transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Prefeitura de Toledo

 

Baseadas na Lei Federal nº 14.188/2021; da Lei Estadual nº 20595/2021 e da Lei Municipal “R” 103/2021, a SMDH traçou um plano de ação e sua apresentação aconteceu no Auditório Acary de Oliveira. Além das falas de autoridades, a secretária da SMDH, Jennifer Teixeira, explanou, durante o evento, como auxiliar a mulher que apresentar o sinal composto letra ‘x’ assinalada na palma da mão, uma forma silenciosa da vítima pedir socorro ao mostrá-lo em estabelecimentos parceiros como farmácias, restaurantes, hotéis, instituições financeiras e vários órgãos públicos. “A mulher representa mais de 50% da população toledana e sabemos que para se ter uma vida digna, é essencial se sentir segura e apoiada. Por isso estamos reunidos aqui, para que a sociedade se sinta parte desta luta”, comentou.

 

Ainda durante a abertura, o cerimonial trouxe números da situação da violência contra a mulher. Entre março de 2020 e dezembro de 2021, foram registrados 2.451 feminicídios e 100.398 casos de estupro e estupro de vulnerável de vítimas do gênero feminino. Em 2021, em média, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7h, com registro de 56.098 boletins de ocorrência de estupros. “Isso significa dizer que, no ano passado uma menina ou mulher foi vítima de estupro a cada 10 minutos, considerando apenas os casos que chegaram até as autoridades policiais”, disse a coordenadora de Políticas para Mulheres, Adriane Lenice Genari Dias.

 

As autoridades destacaram a importância da ação e a importância em oferecer igualdade. As falas da vereadora Olinda Fiorentin e do vereador Marcelo Marques deram enfoque ao respeito. “É preciso proteger e dar igualdade. Não precisaríamos estar aqui, nos debruçando em leis, custos operacionais e cercando às mulheres de proteção se houvesse o cuidado para não ferir e até mesmo matar. Tenho uma esposa e duas princesas, sou cercado de mulheres e o mínimo que posso fazer, enquanto cristão, é dar proteção total a elas”, comentou Marques. “É preciso zelar em qualquer circunstância e em todos os lugares”, reforçou Olinda.

 

A Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT) esteve representada pela diretora de Responsabilidade Social e Ambiental da entidade, Maria Rita Pozzebon. “Vamos levar essa discussão para dentro da ACIT. Vou apresentar esta demanda e preocupação para que possamos preparar a nossa sociedade para atender este pedido de ajuda das mulheres vitimadas”, disse. Outra autoridade a discursar foi o representante do Ministério Público do Paraná (MP-PR), José Roberto Moreira. Em sua fala, Moreira foi enfático em relatar os diversos casos de júris envolvendo autores de feminicídio. “Somos fruto de uma sociedade machista, onde o homem é educado para isso. Nossa cultura precisa evoluir para a igualdade. Quem ama não mata”.

 

Já os representantes do Executivo, prefeito Beto Lunitti e vice Ademar Dorfschmidt, destacaram a importância das políticas públicas. Lunitti lembrou que a administração municipal evolui em seu atendimento no dia a dia e citou a criação, dentro da estrutura administrativa, de sistemas de apoio às mulheres, como a Patrulha Maria da Penha. “Estamos em constante evolução e modernização. As ações precisam ser assim”. Lunitti terminou o evento ainda conclamando aos presentes. “Às vezes, a violência está no olhar. Sejamos simpáticos uns com os outros”. 

 

Dorfschmidt destacou o seu envolvimento direto com as situações de violência contra a mulher e o quanto isso se torna marcante. “Vivencio isso todos os dias, pois minha esposa é assistente social e trabalha diretamente com este público. Sinto toda a angústia de quem atua diretamente resolvendo situações de violência e medo. Precisamos evoluir e dar suporte para quem passa por este problema”, concluiu.

 

Ação - Após as falas, Jennifer apresentou algumas orientações que serão repassadas aos setores interessados em serem partícipes da campanha. Entre elas a de não se fazer muitas perguntas e agir com rapidez e acolhimento. De forma reservada, usando os meios à sua disposição, registrar o nome, telefone e o endereço da vítima e acionar o 190. Se a vítima disser que não quer a polícia naquele momento, entenda. Após a saída dela, transmita as informações pelo telefone 190. A vítima pode querer apenas um local seguro. A orientação, conforme Jennifer, é permanecer atento e dar o suporte necessário. O atendente não precisará acompanhar a polícia e não será testemunha da violência. O objetivo é ser uma ponte com o serviço de urgência.

 

X Vermelho - No ano passado duas situações de violência foram detectadas por meio do sinal. “Foram mulheres que procuraram ajuda. A campanha que estamos iniciando e com o objetivo de tornar isso ainda mais popular, dando mais uma oportunidade de mulheres se libertarem de situações de opressão e violência”, comentou Jennifer Teixeira.