Toledo segue líder em geração de empregos no interior do PR, aponta Caged

Publicado por jose.seide , Qua, 30/09/2026 10:14
  • Município criou, em 2026, 4.855 novos postos de trabalho, número que só foi menor que o de Curitiba; resultado em agosto é o maior da série histórica do levantamento
    Município criou, em 2026, 4.855 novos postos de trabalho, número que só foi menor que o de Curitiba; resultado em agosto é o maior da série histórica do levantamento

 

Toledo foi o município do interior que mais gerou empregos formais no Paraná em 2026, segundo os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta terça-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Entre janeiro e agosto, o mercado de trabalho local acumulou saldo de 4.855 novos postos com carteira assinada, resultado de 28.843 admissões e 23.988 desligamentos.

Em números absolutos, Toledo aparece na segunda posição entre os municípios paranaenses, atrás apenas de Curitiba, que acumulou saldo de 18.227 empregos formais no período. O grupo dos cinco maiores saldos é completado por Londrina, com 3.577 novos postos; Maringá, com 3.364; e Cascavel, com 2.670.

O desempenho de Toledo também se destaca quando o número de novos empregos é relacionado ao tamanho da população. Entre os 24 municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes, a cidade apresentou a maior geração de empregos por habitante nos sete primeiros meses do ano, com média de 29.847,9 novos postos para cada 1 milhão de moradores. O índice é mais que o dobro do registrado por Araucária, segunda colocada, com 13.488,26, e supera os resultados de Arapongas (12.642,43), Curitiba (9.948,24) e Maringá (7.775,61).

Serviços – O setor de serviços foi o principal responsável pelo saldo acumulado em Toledo. De janeiro a agosto, foram 12.624 admissões e 8.982 desligamentos, resultando na abertura de 3.642 postos de trabalho.

Na sequência aparecem a indústria, com saldo de 643 empregos, a partir de 7.583 contratações e 6.940 desligamentos; a construção, com 616 novos postos, resultado de 2.756 admissões e 2.140 desligamentos; e o comércio, que praticamente manteve estabilidade, com saldo positivo de 1 emprego, a partir de 5.219 admissões e 5.218 desligamentos. A agropecuária registrou saldo negativo de 47 vagas, com 661 admissões e 708 desligamentos.

Agosto – O desempenho de Toledo também ganhou força em agosto. No mês, as empresas instaladas no município realizaram 3.920 admissões e 3.161 desligamentos, resultando em saldo positivo de 759 empregos.

Esse é o maior saldo registrado por Toledo para um mês de agosto desde 2020, quando o Caged passou a utilizar a metodologia atualmente adotada. No recorte entre os 24 municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes, Toledo teve o segundo maior saldo do mês, atrás apenas de Curitiba, que abriu 906 postos. Foz do Iguaçu, com 668; Londrina, com 559; e São José dos Pinhais, com 524, completaram as cinco maiores marcas.

Na avaliação do diretor de Políticas de Emprego e Relações do Trabalho da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Deseco) e gerente da Agência do Trabalhador de Toledo, Vanderlei Timóteo, o desempenho do mercado de trabalho fornece subsídios para direcionar as ações de empregabilidade e aproximar as diferentes partes envolvidas nesse processo. “O resultado positivo que nós tivemos reforça a importância da integração, que é uma busca que nós temos feito cada vez mais junto ao poder público, às empresas, aos trabalhadores e às instituições de qualificação para transformar esse movimento num grande ecossistema onde essas oportunidades se convertam realmente em trabalho e renda”, avalia. “As nossas ações estão realmente conectadas a uma realidade com aquilo que o mercado espera de nós”, acrescenta. 

Novamente, os serviços responderam pela maior parcela do resultado mensal, com saldo de 660 novos empregos, a partir de 1.817 admissões e 1.157 desligamentos. A construção abriu 98 vagas, com 381 contratações e 283 desligamentos; a indústria teve saldo de 51, com 958 admissões e 907 desligamentos; e o comércio registrou 17 novos postos, com 699 admissões e 682 desligamentos. Na agropecuária, foram 65 admissões e 132 desligamentos, resultando em déficit de 67 empregos.

No recorte proporcional de agosto, Toledo também ocupou a primeira posição entre os municípios analisados. Foram 4.666,23 empregos criados para cada 1 milhão de habitantes, índice superior ao de Araucária (2.513,83), Umuarama (2.288,90), Foz do Iguaçu (2.233,28) e Francisco Beltrão (2.185,18).

Para Timóteo, a leitura dos indicadores do mercado de trabalho é fundamental para ajustar a atuação da Agência do Trabalhador às transformações nas relações de emprego. “Os dados também servem como instrumento de planejamento para nossas ações, de intermediação de mão de obra, qualificação profissional e aproximação com o setor produtivo”, explica. “Mais que acompanhar esses números, nós precisamos transformar esses dados do mercado de trabalho em inteligência para gestão, porque, se não houver esse BI (business intelligence) que traga e demonstre esses resultados, não vamos conseguir avançar, principalmente em todo o processo de mudança que há no mercado de trabalho”, pontua.

Estoque – O avanço na criação de novas vagas também alterou o estoque de empregos formais do município. Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o número de trabalhadores com carteira assinada em Toledo passou de 60.836 para 65.691, aumento de 7,98%.

Entre os 24 municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes, Toledo apresentou o maior crescimento proporcional do estoque no período. Na sequência aparecem Araucária, com alta de 4,62%; Arapongas, com 4,10%; Curitiba, com 2,29%; e Maringá, com 2,01%.

Considerando a relação entre a população total e o estoque de empregos formais, Toledo ocupa a segunda posição no Paraná. Os 65.691 trabalhadores com carteira assinada correspondem a 40,39% da população municipal. O percentual fica abaixo apenas do registrado por Curitiba, de 44,50%, e supera os índices de Pinhais (40,27%), Maringá (39,49%) e São José dos Pinhais (37,81%).

Na avaliação de Timóteo, os resultados do mercado de trabalho também apontam para a necessidade de fortalecer as condições de empregabilidade em Toledo. “O que vai realmente mudar toda essa estratégia que temos criado e buscado para haver realmente retenção no mercado de trabalho e mantendo esses dispositivos de empregabilidade é que Toledo precisa ter um diferencial”, salienta. “E qual é esse diferencial? É oferecer qualificação profissional de verdade para que esse candidato cada vez mais consiga ter um currículo que seja atrativo para o mercado e o mercado responda com boas oportunidades de trabalho”, defende.