O Conselho Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio de Toledo (CMDAT) promoveu, na manhã desta terça-feira (22), reunião extraordinária da qual participaram representantes de seis municípios do Oeste do Paraná, que debateram medidas de proteção sanitária dos rebanhos, conservação do solo e preparação para situações de emergência no meio rural. Realizado no auditório do Centro de Eventos Ismael Sperafico, o encontro também aproximou os Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs) das estruturas do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Defesa Civil.
Participaram das discussões representantes de Cascavel, Ouro Verde do Oeste, São José das Palmeiras, São Pedro do Iguaçu, Toledo e Tupãssi. Entre os assuntos tratados estiveram estratégias de prevenção e controle de brucelose e tuberculose bovina, a ameaça representada pela expansão de javalis, medidas de conservação do solo e das estradas rurais e a preparação para eventos climáticos como chuvas intensas, granizo e temporais.
Para o chefe regional do IDR-PR, Ivan Decker Raupp, a articulação entre os municípios é necessária diante do peso da atividade agropecuária para a economia regional e dos riscos que podem comprometer a produção. “O Oeste é responsável por 22% do PIB [Produto Interno Bruto] do Paraná e é uma preocupação de todas as organizações proteger esse grande patrimônio, que é a cadeia de produção de proteína animal”, pontuou. “Além do excesso de chuva, temos tido problemas de granizo e temporais que afetam estruturas produtivas. Por isso, queremos estar bem afinados para que, na eventualidade de qualquer emergência, exista uma articulação pronta e preparada para atuar e amenizar essas situações”, acrescentou.
Câmaras técnicas – Um dos resultados da reunião foi a instalação oficial de duas Câmaras Técnicas do CMDAT: a de Sanidade Animal e Vegetal, coordenada por Edson Pacheco, e a de Conservação de Solos e Água, coordenada por Ricardo Antônio Palma. Os grupos reúnem representantes de órgãos públicos, cooperativas, empresas, instituições de ensino e entidades ligadas ao setor agropecuário.
A Câmara Técnica de Conservação de Solos e Água terá atuação inicialmente voltada à prevenção e à busca de soluções técnicas e consensuais para situações relacionadas ao manejo das águas e à conservação do solo. Em relação à Câmara Técnica de Sanidade Animal e Vegetal, a proposta é priorizar o diálogo entre produtores e instituições e recorrer à Adapar quando as possibilidades de encaminhamento no âmbito do grupo estiverem esgotadas.
Sanidade animal – Na área de sanidade animal, a Adapar apresentou informações sobre doenças de interesse para a produção e a saúde pública, incluindo febre aftosa, peste suína clássica e africana, influenza aviária, doença de Newcastle, raiva, brucelose e tuberculose. A apresentação também abordou o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), com informações sobre casos registrados em 2025 e 2026 no Paraná e em municípios da região, além dos procedimentos para saneamento de propriedades, exames e certificação de estabelecimentos livres das doenças.
Em Toledo, o município mantém um programa de incentivo à certificação, com subsídios para vacinação e exames, especialmente voltado a propriedades de produção leiteira. “Toledo já se destaca por ter esse programa com subsídio nas vacinas e nos exames, facilitando para que os produtores rurais possam ser certificados sem que haja um ônus para eles”, comentou o secretário municipal da Agricultura e Proteína Animal, Luiz Carlos Bombardelli. “As vantagens são enormes em produzir um alimento saudável, com qualidade e segurança alimentar”, ressaltou.
A programação também tratou da ameaça representada pelos javalis, tema que foi apontado como uma preocupação que deve ser enfrentada de forma articulada e regional. A chefe regional da Adapar e representante do POD, Odete Medeiros, destacou o crescimento do problema e seus efeitos para além da produção agropecuária. “Um ponto que queremos trazer como alerta é a questão dos javalis, que está tomando grandes proporções e provoca impacto ambiental e sanitário, além de representar risco para as pessoas”, alertou. “Essa questão vai além da produção agropecuária, pois a proliferação desses animais pode provocar danos a nascentes, pastagens e plantações, além de afetar a fauna silvestre e representar uma preocupação sanitária pela possibilidade de participação na disseminação de doenças”, salientou.
Conservação do solo – A conservação do solo foi tratada a partir de dois enfoques: prevenção e fiscalização. Durante a reunião, a Adapar apresentou o Programa de Fiscalização do Uso do Solo Agrícola, a legislação estadual e os procedimentos para prevenção, controle e regularização de situações relacionadas à erosão e ao uso inadequado do solo. Também foram apresentados exemplos envolvendo áreas agrícolas, estradas, drenagem, terraços, nascentes e recursos hídricos.
A apresentação incluiu estudos de caso sobre erosão em áreas agrícolas, danos em estradas municipais e impactos em pastagens e recursos hídricos. Também foi ressaltada a necessidade de compatibilizar as estruturas de manejo da água nas propriedades com o planejamento e a conservação das estradas rurais.
Entre as situações discutidas esteve ainda a influência de intervenções realizadas sem planejamento adequado da drenagem. O secretário Luiz Carlos Bombardelli chamou atenção para impactos relacionados à instalação de placas solares quando não são acompanhadas de medidas que considerem o escoamento das águas.
El Niño – A Defesa Civil do Paraná apresentou informações sobre o fenômeno El Niño em 2026, incluindo previsão e possíveis impactos para a Região Sul e o setor agropecuário. Conforme registrado na ata, a apresentação apontou possibilidade de intensificação entre outubro e dezembro, com chance de persistência até o início de 2027, reforçando a necessidade de monitoramento e adoção de medidas preventivas.
Entre os riscos apresentados estão chuvas acima da média, tempestades, granizo, enxurradas e inundações, além de encharcamento do solo, atrasos no plantio e na colheita, aumento de doenças fúngicas, erosão e perdas de nutrientes. Também foram apontados possíveis danos a galpões, silos e outras estruturas rurais provocados por vendavais e granizo.
Como medidas preventivas, foram destacadas a manutenção de terraços e curvas de nível, ampliação da cobertura do solo, adequação da drenagem, monitoramento de doenças, cuidados com o tráfego de máquinas em solos saturados e reforço de estruturas rurais. O acompanhamento de boletins meteorológicos e alertas de curto prazo também foi recomendado aos produtores.