Palhaço Chukito: de Toledo à Arábia Saudita

Publicado por robson.morante , Qui, 27/10/2022 09:54 | Modificado: Seg, 07/10/2024 07:54
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    Palhaço Chukito: de Toledo à Arábia Saudita

 

O Circo da Alegria transformou a vida de muita gente nesses últimos 30 anos. Não só para quem se profissionalizou como artista, mas para inúmeras crianças que mudaram sua perspectiva de mundo e passaram a ter com mais frequência sorrisos em sua infância. Crescer em uma comunidade carente é difícil, mas quando se criam oportunidades e se cultiva esperança, as barreiras acabam se tornando menores. 

São inúmeros os relatos de ex-alunos da Escola Municipal Anita Garibaldi que passaram pelo Circo da Alegria e que melhoraram suas qualidades, venceram seus medos, aprenderam a encarar desafios, seja de falar em público ou de subir num trapézio ou perna de pau. Hoje vamos contar a história de um desses alunos, um menino que foi literalmente encantado pelo circo, entrou para as aulas fazendo “estrelinhas” e foi parar na Arábia Saudita, na tenda de um Sheik - título de um governante, considerado uma honra e algo prestígio. 

Maiko Elvino Ferreira - Ele começou no Circo da Alegria em meados dos anos 2000 e fazia todas as oficinas possíveis oferecidas. Na época, o Circo dos Trapalhões estava em alta e serviu de inspiração, assim como um primo que já participava das atividades. “Eu nem tinha idade e já queria fazer parte. Meu sonho era estar no circo, aquilo me encantava, comecei fazendo estrelinhas e pirâmide humana, na verdade, tudo que era possível eu fazia”, lembra Maikon Elvino Ferreira. 

Maikon trocou as brincadeiras convencionais dos meninos para frequentar o Circo da Alegria, mas não antes de ajudar a mãe em casa. “Comecei a frequentar o Circo da alegria nos horários que minha mãe menos precisava de mim em casa. Eu ia na escola de manhã, chegava em casa, almoçava, lavava a louça e limpava a casa, deixava tudo certinho para não ter reclamações mais tarde quando a mãe chegasse”, conta o artista. 

“Eu nunca fui aquele menino de ir para o rio [assim como os outros da época], pois tinha medo de encontrar uma cobra ou alguma coisa assim. Pra jogar bola eu era muito ruim. Eu tinha medo de chegar em casa machucado e apanhar da mãe, então eu preferia o circo né”, complementou. 

 

Os anos foram passando e Maikon cada vez mais envolvido. No final de 2003 alguns visitantes de passagem por Toledo informaram que tinham um circo em São Paulo e que estavam abrindo outra unidade, mas precisavam de pessoas para trabalhar como ajudante nas aulas, pois já tinham outros profissionais. Nessa altura, Maikon já era envolvido na organização dos espetáculos e outros eventos em Toledo, não pensou duas vezes antes de aceitar o convite.

“Fui para São Paulo com a família Jardim, que são os proprietários hoje do Circo Espacial e do Circo dos Sonhos. Na época eles abriram o Circo Escola chamado Academia Brasileira de Circo, onde eu era aluno e um ajudante de professor na Barra Funda no começo de 2004”, relata nostálgico. 

As oportunidades se expandiram para Maikon, também conhecido no meio artístico como Palhaço Chukito. Ele conheceu profissionais e famílias tradicionais que nasceram no meio do circo. Fez muitas amizades, oficinas com profissionais renomados e ampliou seus conhecimentos e habilidades. “Eu comecei no circo com quase 10 anos, muitos deles nasceram no circo, então eu aproveitei essa oportunidade graças ao Circo da Alegria e procurei aprender o máximo”, frisa. 

Entre várias personalidades, Chukito citou a professora de circo, Jaqueline Pepino Guimarães, e seu esposo, César Pepino Guimarães, proprietários do antigo Circo Moça Fiesta, primeiro circo no Brasil patrocinado pela Nestlé na época do auge do circo. “No lançamento do Leite Moça o ingresso para entrar no circo era o rótulo da latinha do Leite Moça. O César me ensinou trapézio de vôos e a esposa dele me ensinou o tecido, isso já no começo de 2005, eu estava engajado com ele, estava legal, inclusive assumi a função de professor na Academia Brasileira de Circo no lugar da Jaqueline”. 

Arábia Saudita - Os conhecimentos adquiridos no Circo da Alegria e aperfeiçoados em São Paulo levaram o Palhaço Chukito à sua primeira turnê internacional em junho de 2006, quando passou uma temporada de três meses na Arábia Saudita. Um Sheik comprou a lona do tradicional Circo Garcia com toda a estrutura e montou em um parque para a apresentação dos artistas brasileiros.

“Em 2007 o empresário disse que os caras queriam o Palhaço Chukito lá no Parque do Sheik de novo. E como o Circo da Alegria nos ensina a fazer um pouco de tudo, é uma formação profissional muito boa. Em 2006 eu fiz uma sátira de uma cantora que era considerada a Xuxa da Arábia Saudita para os baixinhos. Ninguém queria fazer, então falei eu vou e faço. Me deram uma peruca, uma roupa que ela fazia um clipe com um circo e acabou pegando”, explica Chukito. O resultado foram três temporadas seguidas (2006/2007/2008) nas terras do Sheik.

Gratidão - “Isso tudo eu devo graças ao mundo do Circo que eu conheci através do Circo da alegria. Sou eternamente grato às aulas de circo que eu tive com o Ademir Iung na minha época.  Ele era professor e a coordenadora era a Tânia Regina Piazzeta. Dado Guerra, nosso professor de teatro, era um produtor de iluminação de palco, nosso intercessor para brilhar um pouco mais a nossa arte do circo, além dos espetáculos no circo, nas escolas, nas quadras de esporte e nossos espetáculos quando iam para o Teatro Municipal. Era muito massa quando chegávamos e a galera dizia ‘é a turma do circo’”, relembra com muita emoção.

Maikon ficou 10 anos longe de Toledo e ficou encantado ao retornar ao Circo da Alegria. “Tudo com a mesma essência, mas com a roupagem muito nova, muito linda. Me sinto muito honrado por estar participando dessa Mostra de Circo e estar durante esse ano aqui. Gratidão ainda mais por aqueles que continuam dando vida a este lugar onde eu aprendi muito”, exaltou ao elogiar vários personagens que fizeram parte desta história.