Dengue: Comitê Intersetorial apresenta balanço e acende alerta para epidemia

Publicado: Ter, 11/10/2022 17:41
  • O Centro de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça (9), a 3ª reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus
    O Centro de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça (9), a 3ª reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus
  • O Centro de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça (9), a 3ª reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus
    O Centro de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça (9), a 3ª reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus

 

O Centro Municipal de Controle de Endemias recebeu, na tarde desta terça-feira (9), a terceira reunião do Comitê Municipal Intersetorial de Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus de Toledo. Na ocasião, os agentes de combate a endemias (ACEs) e representantes dos órgãos públicos e empresas que compõem o grupo de trabalho acompanharam o balanço quadrimestral de atividades e debateram meios para evitar uma nova epidemia da doença entre o fim deste ano e o início de 2023.

 

Motivos para se preocupar existem: desde o início do atual ano epidemiológico, em 1º de agosto, quatro casos de dengue haviam sido confirmados. Uma situação atípica, pois, em outros anos, nesta mesma época, não se costumava registrar o aparecimento da doença. Dois destes episódios ocorreram em agosto (Vila Nova e Bressan) e dois em setembro (São Francisco e Boa Esperança). “Reuniões como esta, com atores fundamentais no combate ao Aedes aegypti, são fundamentais, pois tudo indica que os próximos meses serão de muito trabalho para todos nós, ainda mais com esse volume de chuva que está caindo em nossa região”, alerta a secretária da Saúde, Gabriela Kucharski.

 

A coordenadora do Controle e Combate às Endemias, Lilian Konig, apresentou um balanço das atividades realizadas pelo setor nos dois primeiros quadrimestres de 2022. Entre janeiro e agosto deste ano, a equipe do Controle e Combate às Endemias realizou 173.113 inspeções domiciliares, das quais em 107.764 os ACEs foram atendidos na primeira tentativa e em 65.349 não havia ninguém no imóvel – deste total, 3.128 foram “recuperadas”, isto é, os moradores entraram em contato com o número que constava na notificação que foi deixada pelos agentes e uma nova visita foi realizada.

 

Lilian também falou sobre os três Levantamentos Rápidos de Infestação do Aedes aegypti (LirAa) realizados em 2022 (o quarto e último será no começo de novembro), as ações em parceria com as unidades de saúde nos bairros e distritos e outras secretarias, como a da Educação, por meio de palestras e encenações teatrais em escolas, e de Meio Ambiente, com quem tem atuado na distribuição de sacolas de ráfia em imóveis atendidos pela coleta seletiva. Também foram mencionadas ações pontuais, como as realizadas em casas onde residem pessoas com transtorno da acumulação compulsiva (um risco à saúde pública que é mitigado com a participação de profissionais de vários setores) e os ecopontos itinerantes nos bairros com maior incidência de notificações de dengue. “Este trabalho em várias frentes visa dar mais visibilidade ao trabalho dos ACEs, o qual nem sempre é devidamente reconhecido por algumas pessoas. Estamos todos os dias em contato com a população e nossos agentes têm muito a contribuir na execução de políticas públicas nesta área”, pontua a coordenadora.

 

Neste contexto, a secretária de Saúde deu uma ótima notícia: o trabalho “O agente de combate a endemias como protagonista das ações de mobilização e orientação à comunidade” foi selecionado e representará Toledo no 36º Congresso das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná que será realizado em Foz do Iguaçu entre os dias 18 e 20 deste mês – o único na área de endemias entre os municípios circunscritos à 20ª Regional de Saúde (RS). “Uma das principais missões dos ACEs é fortalecer os vínculos com a comunidade, sobretudo com crianças e adolescentes. É um trabalho de longo prazo que, feito agora, só vai florescer daqui 15 ou 20 anos. Porém, desde já, devemos deixar bem claro que o combate à dengue é uma responsabilidade de todos”, destaca Gabriela.

 

Monitoramento

O enfermeiro da Vigilância Epidemiológica da 20ª RS, Fábio Molina, observa que o órgão está monitorando constante a situação da dengue e outras arboviroses nos municípios da área de abrangência da Regional. “Estamos em uma região endêmica e o vírus que causa dengue já está em circulação. A gravidade da situação que teremos daqui em diante dependerá de uma série de fatores, como a qualidade do planejamento de ações por meio de um plano de contingência de acordo com a realidade socioeconômica e cultural do município, que precisa saber lidar com as diversidades que virão, evitando, se possível, um crescimento vertiginoso de casos”, salienta o técnico, que alertou que o Paraná já registrou dois óbitos no atual ano epidemiológico, um em Curitiba e outro em Maripá, município atendido pela 20ª RS. 

 

No fim da reunião, foi aberta a palavra aos presentes darem sugestões de como promover melhorias nesse plano de contingência.  A diretora de Vigilância em Saúde, Juliana Beux Konno, aproveitou a ocasião para falar do esforço que tem sido realizado no sentido de aumentar o número de servidores efetivos na equipe de ACEs. “Os contratados via PSS [processo seletivo simplicado] nos ajudam muito, mas é importante que o agente tenha a perspectiva de permanecer mais tempo na  equipe de forma a consolidar o aprendizado obtido por ele. Por isso, já chamamos todos os aprovados em concurso e já solicitamos a realização de um novo”, relata