A Prefeitura de Toledo, em entrevista coletiva realizada na segunda-feira (13), anunciou o resultado do Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre os dias 6 e 9 janeiro. Os dados apontaram que dos 1.763 imóveis vistoriados, 186 apresentaram infestação, perfazendo um percentual de 10,6%. Segundo os parâmetros do Ministério da Saúde (MS), os municípios que apresentam dados inferiores a 1% estão em condições satisfatórias. Durante o encontro com a imprensa, o prefeito Beto Lunitti anunciou ações para a melhoria dos índices, como a contratação de mais 10 agentes de combate às endemias, campanhas educativas, por meio da Catequese da Cidadania, a reestruturação da coleta seletiva no município e a realização de mais uma etapa de coletas de recipientes nas residências por meio de mutirão.
O LIRAa concluído na quinta-feira (09) apontou índices altos em bairros de classe média alta, como a região denominada Panambi II pela Coordenação de Controle e Controle de Combate às Endemias, que corresponde ao quadrilátero formado pelas Ruas Guaíra, General Alcides Etchegoyen, Dom Pedro II e a Avenida Parigot de Souza, com 40 imóveis visitados e índice de 25% de infestação. O principal vilão, segundo os dados coletados, ainda está dentro das casas, nos pratinhos de plantas, com 37 casos. “Diante da situação, somente a colocação de areia neste recipiente não é o suficiente, precisamos erradicá-los”, salientou o coordenador de Controle e Combate às Endemias, Genair Grunevald.
O aumento do índice acontece devido aos longos períodos de chuvas que ocorreram no município nos últimos dias. Porém, apesar do aumento em relação à última aferição, que foi de 0,7%, estão abaixo do mesmo período no ano passado. “Em 2013, devido aos problemas que ocorreram em todos os municípios da 20ª Regional de Saúde, realizamos um estudo preliminar no mês de janeiro, diferente do LIRAa, que apontou 14% de imóveis com a presença do Aedes aegypti”, informou Genair. Na ocasião foi realizada uma ação emergencial, o Mutirão da Dengue, envolvendo as Secretarias de Meio Ambiente, Saúde e Infraesturura Rural, que coletou mais de 1.000 toneladas de materiais que acumulam água, podendo se tornar criadouros.
Ações imediatas
Além das campanhas educativas e a contratação de mais servidores para atuarem no controle e combate às endemias, o prefeito Beto Lunitti salientou a necessidade de a população fazer a sua parte. Neste sentido, a administração municipal, por exigência do Ministério Público, vai aplicar a Lei “R” nº 165/2009 e promoverá atos visando impedir hábitos e práticas que possam expor a população ao risco de contrair doenças relacionadas ao Aedes aegypti. Estas ações correspondem à notificação prévia para regularização de situações que promovam a proliferação do mosquito no prazo de 48 horas e, caso não ocorra o cumprimento das determinações, a aplicação de multa que vai de 1 (uma) a 10 (dez) Unidades de Referência de Toledo (URT’s). Em casos de reincidência, as multas serão sempre cobradas em dobro.
Outra ação que ocorre esta semana é uma campanha na Indústria Alimentícia BRF com a exposição da forma correta de armazenar recipientes em casa e também os perigos de não realizar os cuidados. “Montamos manequins com o mosquito e um representado a morte. Precisamos que as pessoas entendam que a Dengue pode matar”, lembrou Genair, afirmando que a mobilização partiu da empresa que atualmente conta com aproximadamente oito mil colaboradores. Em 2013, sensibilizada com o trabalho, a BRF fez a doação de um caminhão para auxiliar nas atividades de combate à Dengue.
Preocupação com uma epidemia
O secretário de Saúde Edson Simionato lembrou que a principal preocupação do município é prevenir, pois o tratamento de uma possível epidemia seria bastante complicado. “Um paciente com a doença dependerá de internamento e em alguns casos até mesmo de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”. Edson também citou cidades que passaram por esta situação, como o Rio de Janeiro em 2008, onde foi preciso o auxilio de hospitais de campanha montados pelas Forças Armadas. “No ano passado, diante do índice de infestações, estivemos próximos dessa situação. Mas com esforço conjunto revertemos o quadro. Agora não pode ser diferente”, frisou. A epidemia é determinada na confirmação de 300 casos para cada 100 mil habitantes.
Em 2014, o município de Toledo possui dez casos suspeitos. Segundo o prefeito Beto Lunitti, todas as ações, como o bloqueio mecânico e químico, serão realizadas. “Já foi coletado o material e, caso seja positivo o exame de algum destes pacientes, a resposta chega entre 5 e 6 dias. Caso o resultado não venha neste período, é que o caso não foi confirmado”. Beto ainda salientou que o período mais crítico é fevereiro, quando muitas pessoas retornam das férias, oriundas de outras localidades.
