O Auditório Acary de Oliveira, na Prefeitura de Toledo, foi o local escolhido para a apresentação dos seis médicos estrangeiros que irão trabalhar no município por meio do Programa Mais Médicos, do Governo Federal. O evento aconteceu na quinta-feira (17) e contou com presença de autoridades, convidados e imprensa. A ação faz parte da proposta do Governo Municipal que busca ampliar os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), além de promover a saúde preventiva da população. O convênio terá duração de três anos.
Os novos profissionais chegaram a Curitiba, capital do Estado, na segunda-feira (14), e foram recepcionados pelos prefeitos dos municípios contemplados. Em Toledo, os cubanos desembarcaram na quarta-feira (16). Todos carregam vasta experiência em Saúde da Família, programa implantado em seu país de origem em 1984. “São trinta anos promovendo ações que poderão auxiliar no desenvolvimento desta política de saúde aqui no Brasil e em Toledo”, explicou o médico da família há 17 anos, Esmilso Hernandez, que veio para o Brasil junto com a esposa, que também faz parte do ‘Mais Médicos’, Mariela Gonzalez Vale, que possui 19 anos de atuação em Saúde da Família.
Esta bagagem, segundo o assessor especial em Saúde, Edson Simionato, vem ao encontro das metas traçadas pela Secretaria de Saúde, que tem buscado melhorar o acolhimento dos pacientes nas Unidades Básicas de Saúde, por meio da implantação de mais equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF). “Era preciso inverter o sistema de gestão”. Para Edson, é necessário resolver a maior parte dos problemas de saúde, por meio de ações de prevenção nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), diminuindo assim os atendimentos hospitalares, que são mais custosos. “A lógica é fazer gestão para que os problemas sejam sanados na origem e também estimular a saúde preventiva”, comentou.
O prefeito Beto Lunitti lembrou que todo este trabalho, que se soma ao empenho realizado pela Secretaria de Saúde para que o município contasse também com 22 profissionais do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB), atendem a proposta da Administração Municipal de melhorar o atendimento e o acolhimento nas Unidades Básicas de Saúde. “Temos que ampliar o desenvolvimento de ações de prevenção às doenças”. Beto ainda acrescentou que o municipio tem atuado com o intuito de dar as pessoas melhor qualidade de vida. “Queremos tratar a saúde das pessoas e não à doença e com isso diminuir o sofrimento das pessoas”.
Estas ações já apontam avanços. Durante o último mês, o Núcleo Integrado de Saúde Doutor Jorge Nunes (NIS/Mini Hospital), por exemplo, apesar de manter a média, com 8.266 atendimentos de Atenção Básica, registrou uma diminuição de cerca de 50% no tempo de espera. A melhoria se justifica não só pela vinda dos novos médicos ao município, mas também ao processo de reestruturação do setor, promovido pelo Governo Municipal.
Entre as novidades proporcionadas pelas mudanças e avanços está o aumento dos atendimentos clínicos, com promoção e prevenção de saúde nos dois Centros da Juventude (CJU’s), assim como no Centro de Revitalização da Terceira Idade (CERTI), da Vila Pioneiro. Além disso, houve a disponibilização de mais um médico na Farmácia Escola, responsável pela renovação de receitas, abertura de prontuários e verificação e reavaliação dos pacientes. Outra importante ação é a ampliação de mais uma equipe do Programa de Atendimento Domiciliar (PAD). Além disso, no setor de Saúde Mental, foi ampliado o atendimento com um clínico geral.
A UBS do Jardim Concórdia e a UBS do Jardim Pancera, onde deverão ser implantadas novas ESF’s, receberão um profissional do ‘Mais Médicos’ cada uma. O atendimento no local será das 13h às 19h, de segunda a sexta-feira. A UBS do Distrito de Novo Sarandi, que será a primeira unidade do interior onde ocorrerá a ESF, também contará com um médico cubano, para atendimento das 13h às 17h. Além destas, a UBS do Panorama e do Santa Clara IV também receberão o reforço dos médicos estrangeiros. Após o evento os médicos realizaram uma visita a Unidade Básica de Saúde do Jardim Santa Clara IV para conhecer o espaço onde dois deles irão atuar.
Expectativa
Com experiência na área da Medicina da Família, Cuba tem médicos atuando em aproximadamente 70 países, informou o médico Esmilso Hernandez, lembrando que país tem o Programa de Médico da Família desde 1984, o que o torna uma referência neste tipo de atendimento. Em 2013, a mortalidade infantil em Cuba foi 4,2 para cada mil nascidos vivos, considerado o melhor índice latino americano e ultrapassando países como os Estados Unidos e o Canadá. Em Toledo, o índice no mesmo período foi de 10,6.
Apesar de toda a expertise no que tange a Saúde da Família, Esmilso reconhece que o primeiro desafio é a comunicação. “O português ainda é muito elementar, mas acredito que conseguiremos. Nós iremos falar devagar e acredito que as pessoas irão nos compreender. Estamos em Toledo para trabalhar e também aprendermos com os demais, pois sabemos o quão competentes são os profissionais brasileiros. Em Cuba reconhecemos o trabalho realizado pelos médicos do Brasil”.
O médico ainda lembrou que Cuba tem as mesmas doenças de países desenvolvidos e as principais causas de morte são doenças crônicas, doenças cardiovasculares e acidentes de trânsitos e que mudar estes quadros, em muitas vezes, fazem parte de um trabalho de educação. “O poder público precisa investir no conhecimento. É um desafio alterar comportamentos ou padrões de vida, mas não é impossível. É algo que não é feito de um dia para o outro. É um trabalho árduo e pode ser feito com ajuda governamental e ações desenvolvidas em parceria com a mídia e a sociedade em geral”.
A infraestrutura do município foi outro ponto que chamou a atenção dos cubanos. A médica Mabel Llanes, da Província Pinar del Río, que tem 27 anos de experiência em Saúde da Família, afirmou que a cidade é maravilhosa e espera dar continuidade ao trabalho de atenção à família que já é desenvolvido aqui. “É uma cidade linda, com boa estruturação e que dará condições de atuarmos com foco na saúde preventiva”, comentou.
Sobre a possibilidade de a população possuir alguma restrição em relação à vinda dos médicos estrangeiros, o prefeito Beto Lunitti comentou que no início do Programa Mais Médicos existia a resistência de alguns segmentos em relação ao processo. Porém, após o desenvolvimento das ações, pelas condições e atuação dos profissionais, bem como sua qualificação, Beto não acredita que haverá qualquer tipo de hostilidade. “Se houver resistência ou preconceito, estes profissionais saberão, por toda a sua experiência, como contornar estas situações. Além disso, por estarem envolvidos diretamente com a Saúde da Família, da mesma forma como já acontece hoje com os médicos brasileiros, eles se tornarão amigos destas famílias e das comunidades”.
Além dos médicos Esmilso Hernandez e Mabel Llanes, ainda atuarão em Toledo Estrella Labrador Rodrigues, Emigdio Isaac, Liudmila Fonseca Felix e Mariela Gonzalez Vale.
Custos do ‘Mais Médicos’ para o município
Sobre o custo da presença dos seis médicos cubanos em Toledo, segundo informações da Secretaria de Saúde, faz parte das obrigações do município o repasse, para cada médico, de R$ 1.500,00 de auxílio moradia e mais R$ 500,00 para custeio de alimentação. “Este valor é destinado diretamente aos profissionais para que eles usem como melhor entenderem”. Beto ainda explicou que esta é a única obrigação da Prefeitura e o restante dos valores pagos aos profissionais faz parte do termo de cooperação firmado entre o Ministério da Saúde a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
