Na terça-feira (03), a população toledana realizou uma passeata pacífica contra o fracking. A ação movimentou sindicatos, estudantes, imprensa, agricultores, políticos e populares em geral de todo o município. Aproximadamente duas mil pessoas que participaram da caminhada, que foi desde a Prefeitura até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel) de Toledo, na Avenida Parigot de Souza.
A ideia do manifesto veio do vereador Tita Furlan (PV), que desde o início já era contra este método de extração de energia na região oeste do Paraná e em todo o Brasil. “Esse manifesto é para defender a vida presente e futura dos paranaenses e que isso sirva de exemplo para todo o Brasil. Fracking aqui não”, expôs o vereador. Diversas entidades estavam presentes, entre elas, o Ecoclube de Toledo. O presidente, Lucas Henrique Silva, comentou que o movimento é muito importante, e a população precisa lutar pelos seus direitos, indo para a rua e mostrando para o governo que o povo tem voz.
Os manifestantes, durante o protesto apontavam outros métodos de produção de energia. Em apoio aos produtores, estava na ação também o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. O presidente, Delvo Baldin, em nome de todos, comentou sobre a ação. “Estamos aqui hoje para apoiar esse movimento. Nós como agricultores estamos muito preocupados, porque não sabemos ainda das consequências, de todos os problemas que podem causar o método de exploração do gás de xisto. Nós estamos preocupados porque queremos proteger o nosso meio ambiente e as futuras gerações”.
A preocupação em entender este processo de extração aconteceu ainda em 2013, quando o prefeito Beto Lunitti recebeu, na sala de reuniões do gabinete, ambientalistas que discutiram os prejuízos que esse tipo de exploração de energia causaria a Toledo, e essencialmente a sua principal fonte de renda, a produção rural. Além disso, em fevereiro deste ano, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.
Beto contou ainda que Toledo tem buscado energias alternativas, com viés sustentável e que gere renda para o produtor rural. “Nós apoiamos energias renováveis, como é o caso do biogás que está sendo implantado no município. Nesse sentido, Toledo faz parte do Centro Internacional de Energias Renováveis e quer estabelecer aqui uma nova matriz energética e econômica a partir da energia produzida pelos dejetos de suínos”.
