15 de Janeiro de 2015 at 14:43h

Toledo comemora na sexta-feira o centenário do escritor Oscar Silva

Na sexta-feira (16), será realizado um ato alusivo ao centenário de nascimento do escritor, político e militante da imprensa Oscar Silva. A solenidade – organizada pela Prefeitura de Toledo, por meio da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Comunicação Social – acontecerá às 18h30 no Centro Cultural que leva o nome do homenageado, junto à Biblioteca Pública Municipal, no centro da cidade. Na oportunidade, o prefeito Beto Lunitti fará o descerramento de uma placa na Biblioteca, no espaço destinado às obras e à história desse artista.

Segundo o prefeito Beto Lunitti, é muito importante homenagear o escritor no ano do seu centenário, visto que Oscar Silva sempre declarou sua paixão por nosso município. “Nosso Centro Cultural, onde funciona a Biblioteca Pública, o Museu Histórico e a Secretaria de Políticas para Mulheres, estão elementos importantes de nossa história que são passados de geração para geração e leva o nome desse escritor”, explica. O prefeito ainda complementou que Oscar Silva veio para Toledo em 1963 e que figurou no cenário público de Toledo de maneira marcante.

Programação

A solenidade que tem início marcado para às 18h30, é aberta ao público e será animada com música brasileira, nos ritmos de: Música Popular Brasileira (MPB), samba e chorinho, além de músicas próprias e releituras do Grupo Madeira de Música Instrumental. O grupo é formado pelos músicos Cristiano Frank no saxofone e flauta transversal, Daniel Selicani, na guitarra e Peterson Oliveira, na percussão.

Família Oscar Silva

Pitágoras da Silva Barros, o segundo filho de Oscar Silva, enalteceu a postura do poder público municipal pela homenagem a seu pai. “Essa homenagem representa o reconhecimento do trabalho de um homem que foi pioneiro em várias atividades em Toledo, mas principalmente na área da cultura e comunicação”, afirma. “Meu pai foi fundador do Conselho de Cultura juntamente com Edílio Ferreira. O despontar da cultura toledana foi reconhecida em todo o Paraná devido a esse trabalho e, ao resgatar essa história, o prefeito Beto Lunitti demonstra sua sensibilidade e conhecimento dos valores históricos de Toledo”, complementa o filho do escritor.

Sobre o homenageado

Também conhecido por “Pau-de-Arara” e “Velho Guerreiro”, Oscar Silva nasceu em Santana do Ipanema, no Alagoas, em 16 de janeiro de 1915. Foi integrante da Polícia Militar e tomou parte no combate ao banditismo, na época sob chefia do Lampião (Virgulino Ferreira da Silva). Em 1945 ingressou no Serviço Público Federal como postalista dos Correios e Telégrafos. No mesmo ano passou para o Ministério da Fazenda como Escrivão da Coletoria Federal. O cargo foi conquistado com excelentes notas, após meses de estudo autodidata durante as madrugadas, pois não possuía nenhuma formação, nem mesmo o primário. Já o horário dos estudos se dava por conta do expediente diário nos Correios.

Também em 1945 iniciou suas atividade literárias com a publicação do livro “Asas para o Pensamento”. Já na política, foi suplente de deputado estadual por Alagoas pelo Partido Comunista Brasileiro, ficando preso em 1947 devido à cassação do registro daquele partido. Em 1954 foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro de Coronel Fabriciano em Minas Gerais, passando a liderar a bancada.

Morou e sempre foi ativo na participação política das cidades mineiras de Coronel Fabriciano, Resplendor e Mantena, onde foi nomeado Coletor Federal. Veio para Toledo em 1963, apesar de sua transferência ter saído para Cascavel, por ter sido, conforme ele mesmo costumava dizer, “amor à primeira vista”.

Em 1967 foi um dos fundadores do antigo MDB toledano e, no ano seguinte, foi eleito como o primeiro presidente da APM do Colégio La Salle. Afastado – em disponibilidade – da Coletoria Federal, Oscar Silva ingressou nos quadros da Coopagro, onde exerceu o cargo de chefe de pessoal, de 1970 a 1973. A partir de 1976, por convite do então presidente da Câmara Municipal, Ivo Roque Pedrini, assumiu a diretoria geral do Legislativo por dois anos e meio.

Como militante da imprensa foi redator-chefe dos jornais “A Voz do Oeste” e “Nova Geração” sendo ainda, colaborador dos jornais “Hoje” e “O Paraná” de Cascavel. No campo literário publicou os livros “Água do Panema”, um romance de costumes nordestinos, “Semente de Paraíso”, que trata de uma peça teatral sobre cooperativismo, “Sete Caras”, um livro de contos e “Toledo Existe”, de crônicas.

Como gerente do Projeto História de Toledo, desde 1983, coordenou a elaboração e publicação dos livros: “Toledo: Terra e o Homem”, “Cartilha de Toledo”, “Toledo e seus Distritos” e “Toledo e sua História”. No prelo (diz-se do livro que se acha na tipografia, prestes a ser publicado), deixou ainda o livro de memórias: “Eu vi os Pedaços de Lampião”.

Na vida política toledana vale destacar os 45 dias que assumiu como vereador, pela legenda do MDB onde era suplente. Nesses poucos dias, foi o vereador mais produtivo daquela Legislatura, proporcionalmente aos demais.

Em Toledo passou pela experiência de agropecuarista, construindo a fazenda-modelo “Santa Júlia”. No entanto, não obteve êxito comercial, o que se explica com o fato de que na época ainda não vicejava a cultura da soja e Oscar Silva, pelo seu exacerbado romantismo, deixou a atividade materialista da produção. Graças a isso, Toledo perdeu um produtor, porém ganhou um cidadão dedicado integralmente às causas culturais.

Membro do Conselho Municipal de Cultura, desde sua criação em 1974, Oscar Silva representou Toledo em congressos, simpósios e encontros de caráter cultural em diversas praças do país.

Morou sempre na mesma casa desde quando aqui chegou com sua numerosa família composta da sua esposa Dona Gildanira e dos filhos Asclepíades, Sócrates, Pitágoras, Júlia, Aristóteles, Astrogildo, Gildete, Gilsônia e Arquimedes.

Amou tanto este torrão paranaense que a sua maior preocupação era a de morrer longe daqui, o que o levava a pedir sempre aos filhos e à esposa que, caso isso ocorresse, queria ser enterrado – como seu último desejo – em meio aos seus amigos pioneiros toledanos. Oscar Silva faleceu no dia 10 de setembro de 1991 e repousa, como sempre desejou, entre velhos companheiros de lutas toledanas.

Atividades em Toledo

Oscar Silva sempre participou de diversas atividades públicas e sociais em Toledo. Foi presidente da APM do La Salle, um dos fundadores do Rotary, vice-presidente do Clube do Brasil, redator chefe do jornal “A Voz do Oeste”, chefe de pessoal da Coopagro (Gestão Ralf Maas), presidente da APP do Dario Vellozo, redator chefe do Jornal “Nova Geração”. suplente de vereador, presidente e um dos fundadores do Conselho Municipal de Cultura, além de ser um dos estruturadores da Casa da Cultura.

No jornalismo trabalhou também no Jornal de Alagoas, Gazeta de Alagoas, Diário do Povo (Maceió), Folha do Vale (Coronel Fabriciano), A Voz de Mantena, Diário do Oeste (Cascavel), A Voz do Oeste, Nova Geração, Geração em Revista e Recado.

Cronologia

1915 – Nascia Oscar Silva, no dia 16 de janeiro. Filho de Marcelino Pio da Silva, funileiro pobre e Vespertina Azevedo, professorinha da roça.

1929 – Abandonou o curso primário, por falta de recursos. Foi trabalhar de tecelão na Fábrica Penedo em Alagoas. Adoeceu de malária e regressou à sua terra.

1932 – Alistou-se como “flagelado” na Polícia Militar de Alagoas, a fim de combater os Revoltosos de São Paulo.

1933 – Promovido a cabo, em virtude de 1º lugar no Curso de Candidatos a Cabo.

1935 – Promovido a 3º Sargento, também por classificação em 1º lugar no Curso de Candidatos a Sargento.

1938 – Fazendo parte do 2º Batalhão, depois da morte de Lampião, integrou uma volante que foi a Angicos sepultar os onze corpos sem cabeça. Em virtude disso, começou sua vida jornalística, como representante do Jornal Alagoas.

1940 – Obteve o 1º lugar num concurso para Auxiliar de Tráfego dos Correios e Telégrafos, mas optou pela continuação como Sargento da PM.

1943 – Deixou a PM, voluntariamente, já como 2º Sargento, para ingressar no Departamento de Viação e Obras Públicas, como Auxiliar de Escrita.

1944 – Ingressou no Correios e Telégrafos como Auxiliar de Escritório (prova de habilitação feita pelo DASP). Nesse mesmo ano entrou como sócio do Centro Cultural Emílio de Maia (segunda entidade cultural de Maceió – sendo a primeira Academia Alagoana de Letras).

1945 – Aprovado em dois concursos do DASP: Postalista do Departamento dos Correios e Escriturário. Deixou o Correio e ingressou no Ministério da Fazenda (Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional de Alagoas, depois Alfândega de Maceió). Publicou seu primeiro livro “Asas para o Pensamento”.

1950 – Novo concurso do DASP: Escrivão de Coletoria Federal. Aprovado e nomeado para a Coletoria Federal de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais.

1951 – Nomeado Inspetor de Coletorias Federais, em Alagoas, para onde regressa a fim de exercer o cargo. Eleito 1º Orador do Centro Cultural Emílio de Maia e reeleito no ano seguinte.

1953 – Já novamente em Minas Gerais, publicou o livro de crônicas “Fruta de Palma”.

1954 – Vereador mais votado na sigla do PTB. Presidente da Câmara durante três anos. Elaborou várias leis importantes, sendo uma delas o Código de Posturas Municipais de Coronel Fabriciano.

1957 – Transferido para Resplendor, também em Minas Gerais, onde logo foi eleito Vice-Presidente do PTB local.

1959 – Novo concurso do DASP: Coletor Federal. Nomeado Coletor de Mantena, em Minas Gerais. Nesse mesmo ano conquistou o 1º lugar no Concurso Nacional de Contos, promovido no Rio de Janeiro, pelo IPASE.

1960 – Fundou o Diretório Municipal do PTB em Mantena e foi eleito seu Presidente.

1963 – Veio para Cascavel, a pedido, sendo Coletor Federal aí durante nove meses, solicitando então remoção para Toledo.

1968 – Ingressou no MDB. No mesmo ano publicou o livro “Água do Panema”, romance baseado na luta e nos costumes do Nordeste.

1969 – Posto em disponibilidade no Serviço Público Federal, junto com mais de cinco mil colegas que tinham mais de 35 anos de serviço.