02 de Março de 2015 at 03:23h

Caminhoneiros participam de reunião na Câmara de Toledo e podem dar uma trégua nas paralisações

Para ouvir as reivindicações da classe de caminhoneiros que está promovendo paralisações nas rodovias de Toledo, o presidente da Câmara de Vereadores, Ademar Lineu Dorfschmidt convocou uma reunião com integrantes do movimento para este domingo na Câmara de Vereadores. O objetivo era proporcionar um espaço de discussão onde as pautas dos caminhoneiros fossem compartilhadas com os vereadores, com o prefeito e com outros segmentos que pudessem colaborar para que o movimento alcance seus objetivos e não prejudique outros segmentos da sociedade.

 

O plenário da Câmara de Vereadores ficou lotado de manifestantes e de pessoas que apóiam os caminhoneiros. Até a rua em frente a Casa de Leis ficou tomada de caminhões durante a realização das reuniões. Além do vereador Ademar participaram do encontro demais vereadores, prefeito Beto Lunitti, deputado federal Dilceu Sperafico, representantes de sindicatos, da Associação Comercial e Industrial de Toledo (ACIT), de transportadoras e empresas ligadas ao agronegócio.

 

Os caminhoneiros, donos de transportadoras, empresários e sindicalistas tiveram a oportunidade de colocar os motivos pelos quais cada um está direta ou indiretamente envolvido nas manifestações. Em todas as falas e pronunciamentos houve a manifestação unânime de apoio às causas do movimento, porém, também foram explanadas as dificuldades e as perdas econômicas e sociais no caso das paralizações se estenderem por mais tempo.

 

O prefeito Beto Lunitti, o vereador Ademar, o deputado federal Dilceu Sperafico e demais parlamentares presentes expuseram quais foram as medidas tomadas até o momento para que as negociações avançassem e pudessem se chegar a um entendimento o mais rápido possível. Beto Lunitti propôs uma pauta positiva e se colocou à disposição para reforçar a interlocução dos caminhoneiros com as questões relacionadas ao Governo Federal.

 

Reivindicações

Os caminhoneiros autônomos que concentram seu movimento em Toledo apresentaram a seguinte pauta de reinvindicações:

1-Fixar o preço do frete por eixo e quilômetro rodado; fixando um balizador do frete, isto é, dentro de um mínimo e um máximo; hoje como preço de referência é de R$0,70 por Km rodado; 2-Criação de um órgão regulador para acompanhar a fixação do preço do frete por km rodado e por eixo e para fixação do valor do frete; 3-Aprovação da Lei Nº 12.619 sem vetos, em especial para que o governo crie os locais para que as transportadoras possam cumprir a lei, criando as paradas necessárias e adequadas; 4-Revogação da Medida Provisória Nº 669 desta semana; 5-Cancelamento e/ou perdão de qualquer multa decorrente das manifestações atuais; e 6-Carência para financiamento dos bancos deve ser para todos os bancos, não só para os financiamentos frente ao BNDES.

 

Pedido de trégua

Uma trégua provisória chegou a ser proposta aos caminhoneiros, que durante a plenária se manifestaram irredutíveis a ideia de pôr fim às paralisações. Os caminhoneiros pediram prazo até às dez horas dessa segunda-feira (02) para que pudessem discutir com suas bases e levar a resposta até as autoridades locais.

 

Em reunião realizada na sequência com alguns membros e autoridades para explanar melhor os encaminhamentos, o prefeito Beto Lunitti propôs a unificação das pautas dos caminhoneiros autônomos com as pautas dos sindicatos que representam as categorias para que as reivindicações ganhassem força política no rumo de um desfecho vantajoso para ambas as partes.

 

Beto Lunitti colocou a estrutura da prefeitura à disposição para que as lideranças do movimento possam chegar a um consenso e levar suas reivindicações à Brasília.

 

Avaliação

Maico Bombana é proprietário de transportadora e avaliou de forma positiva as reuniões desse domingo. “Hoje (domingo) o grupo já se reúne, vamos entrar em um consenso e amanhã (segunda) já será dado uma resposta. Com certeza os caminhoneiros e os transportadores não tem interesse nenhum em prejudicar a sociedade. Vamos analisar a necessidade de cada um para poder colaborar com a necessidade da população. A reunião foi produtiva, porque a partir de agora já estamos mobilizando uma reunião de nossa parte com todos os caminhoneiros”, avaliou Maico Bombana.

 

O caminhoneiro Dario Alves da Cruz participou das duas reuniões e disse ter sido importante para esclarecer melhor os pedidos de suspensão das paralisações. “Ficou mais claro, nós entendemos a situação, mas temos que reunir o pessoal, pois não decidimos sozinhos. Provavelmente nós vamos dar uma aliviada em algumas situações que também já havíamos observado, mas precisávamos de algumas garantias que pudemos encontrar aqui hoje. Então vamos voltar a conversar e com certeza amanhã (segunda) depois das dez horas já teremos uma conclusão dos encaminhamentos”, informou Da Cruz.

 

Ele pontuou ainda que será estudada a possibilidade de uma trégua nas paralizações até o dia 13 de março, a exemplo de acordos já firmados em outras regiões. Também não descartou a proposta de unificar as pautas com os sindicatos e federações como estratégia para fortalecer a luta política.

 

Para o caminhoneiro Alexandro Cristiano Machado os manifestantes saíram das reuniões mais fortalecidos. “A reunião foi excelente e muito produtiva. Nós vamos procurar resolver as situações, mas sem parar as manifestações. Foi isso que foi acordado. Mas eu sou apenas um porta voz da turma, não tomo as decisões sozinho. Pretendemos manter o apoio do prefeito, do deputado e dos vereadores, mas temos que reunir agora as entidades, os sindicatos e a turma para unificarmos nossa pauta e levar até Brasília”, frizou Machado.