No início da manhã dessa segunda-feira (09) fiscais da Prefeitura foram até a garagem da Viação Sorriso de Toledo para vistoriar os ônibus do transporte coletivo da cidade antes que os mesmos saíssem para suas atividades diárias. O objetivo era vistoriar as condições de acessibilidade dos ônibus, principalmente dos elevadores para os usuários cadeirantes. A ação inédita baseia-se na obrigação do município em acompanhar a execução do contrato de Concessão Nº 359/2003 que concede a empresa o direito de explorar o transporte coletivo na cidade.
“Nós temos um contrato de concessão e temos o dever de realizar esse tipo de fiscalização, independente de haver ou não reclamações por parte dos usuários. Nesse período houveram sim reclamações e, claro, reforçaram a necessidade de realizarmos esse procedimento”, explicou o Secretário de Administração, Amauri Vilmar Linke.
A fiscalização foi realizada pelo Fiscal de Contratos da Secretaria de Administração, Mario Hillebrand e acompanhada pelo Secretário da pasta, Amauri Linke; pelo presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPCD), Marcelo Santana; além do secretário de Segurança e Trânsito, Leoclides Bisognin; da Guarda Municipal; do Ouvidor, Antonio Sérgio de Freitas (Zóio) e de representantes da Secretaria de Comunicação Social. O gerente operacional da empresa VST e o encarregado de tráfego, Daniel Kopicz e Aurélio Meira, respectivamente, acompanharam todo o processo da fiscalização.
Frota
A VST possui uma frota de 41 ônibus hoje em Toledo, sendo que destes 31 estão operando nas ruas e 10 são ônibus reservas. Deste total, 31 veículos possuem a plataforma elevatória para cadeirantes. A ação de fiscalização aconteceu na garagem da Viação. Ao todo, 33 ônibus foram vistoriados, destes, 23 com elevadores e os outros dez, sem elevadores.
O presidente do CMPCD, Marcelo Santana, elogiou a iniciativa do Governo Municipal em promover essa ação. “Nós já havíamos sugerido essa fiscalização para a Administração e estávamos programando fazer uma pelo Conselho devido às inúmeras reclamações de pessoas com deficiência que usam o transporte coletivo. O nosso objetivo era ter um diagnóstico real da situação, verificar se os veículos apresentam as condições de acessibilidade para os usuários com deficiência. E esse objetivo foi alcançado, agora vamos aguardar o fiscal emitir o parecer dele para podermos acompanhar se a empresa tomará as medidas cabíveis para resolver os problemas apresentados”, declarou Santana.
Segundo Marcelo, as principais queixas eram relacionadas à inoperância ou precariedade de alguns equipamentos, além da falta de capacitação e conhecimento de alguns cobradores e motoristas que operam os elevadores. Segundo dados preliminares da fiscalização, essas queixas são parcialmente condizentes.
Vistoria
O relatório oficial será apresentado daqui alguns dias, mas segundo o Fiscal de de Contrato, dos 33 ônibus vistoriados, um ônibus teve que retornar para a garagem devido ao não funcionamento do elevador; outros dois ônibus os elevadores só funcionaram após algumas tentativas e foi orientado que passassem por manutenção e revisão dos equipamentos. Também aconteceu de um cobrador não saber manusear o elevador e pedir auxílio para o motorista. Além disso, mesmo não sendo o foco da vistoria, também foram identificados outros problemas: um microônibus retornou pra oficina, pois uma das portas não abriu; alguns casos de bancos soltos ou quebrados; problemas no banco do motorista; falta de cinto de segurança para o motorista; e balaustre (apoio onde os passageiros em pé se seguram) faltando parafusos.
O fiscal de contratos, Mario Hillebrand, disse que “a situação que encontramos não é 100% satisfatória e requer melhorias em vários carros e na qualificação dos funcionários. Mas a empresa se mostrou disposta a fazer as melhorias necessárias, inclusive o gerente nos acompanhou durante todo o tempo”, comentou.
Hillebrand pontuou ainda que essas plataformas elevatórias são equipamentos sujeitos a dar problemas. “Temos que ser justos, pois os equipamentos estão sujeitos a avarias. Nossa função é acompanhar e ver se a empresa dá a devida manutenção a todos esses itens”, frisa o fiscal.
Outro lado
O gerente operacional da empresa, Daniel Kopicz, reconheceu algumas dificuldades e garantiu que a Viação Sorriso de Toledo está tomando as providências cabíveis. “Em termos de dados estatísticos o nosso índice de reclamações não está fora do aceitável comparando com os índices nacionais. Mas é claro que podemos melhorar também. Não vejo as críticas como reclamações e sim como oportunidade de melhoria para a empresa. Algumas situações são pontuais e não comprometem todo o serviço. Estamos aumentando a equipe de manutenção e teremos mecânico 24 horas para proporcionar mais agilidade na resposta ao usuário. Também estamos desenvolvendo ações para melhorar o conhecimento técnico do motorista e do cobrador sobre o processo”, afirmou Kopicz.
Ele explicou ainda que quando identificado algum problema técnico é aberto um procedimento interno e o veículo segue para a manutenção. Também mencionou que às vezes as reclamações não chegam diretamente para a empresa, o que dificulta a solução dos problemas. Daniel aproveitou para lembrar que no site da empresa www.sorrisodetoledo.com.br tem um link do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) para reclamações e sugestões.
Segundo dados da empresa, aproximadamente 16 mil pessoas utilizam diariamente o serviço de transporte coletivo em Toledo. Estima-se que aproximadamente 100 passagens/dia são de cadeirantes.
