15 de Setembro de 2015 at 18:08h

Prefeitura e Câmara de Vereadores promovem encontro para preparar mobilização contra o Fracking

Na próxima sexta-feira (18), às 19h, no Auditório Acary de Oliveira, na Prefeitura, acontece uma reunião para preparar a mobilização contra o Fracking, que acontece no Parque Ecológico Diva Paim Barth, no dia 4 de outubro. O manifesto é organizado pela Prefeitura e a Câmara Municipal e a expectativa do prefeito Beto Lunitti é que mais entidades da sociedade civil organizada participem da ação. 

“É um manifesto em nível mundial sobre esta questão da exploração do gás de xisto por meio do fracionamento de rocha. Nós queremos conversar com as pessoas que lá estiverem, para organizar o formato desta mobilização, acertar o horário e outros detalhes”, disse Beto Lunitti. Segundo ele, a comunidade mobilizada vai mostrar para os investidores interessados nestes lotes para exploração que eles não terão vida fácil aqui no município de Toledo. “Que a sociedade toda, indistintamente de classe social, vertente ideológica ou instituição a qual pertença se manifeste de forma unificada”.

A intenção é reunir representantes do Poder Executivo e Legislativo, sindicatos, estudantes, imprensa, agricultores, políticos e a população de todo o município.

Fracking na região

Sobre o Fracking, ainda em 2013 o prefeito Beto Lunitti se preocupou em entender o processo de extração e consultou ambientalistas que apontaram os prejuízos que esse tipo atividade causaria a Toledo e a sua principal fonte de renda, a produção rural. Em junho de 2014, a população toledana realizou uma passeata pacífica, além de diversos atos envolvendo a Câmara de Vereadores e outros órgãos. Em junho de 2014, após as manifestações, uma liminar emitida pelo juiz da 1ª Vara Federal de Cascavel, Leonardo Cacau Santos La Bradbury, proibiu a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de dar continuidade a 12ª Rodada de Licitações.

A iniciativa para combater o Fracking conta com o apoio da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e da ONG 350.org Brasil. “Estamos em contato com estas duas entidades e queremos, neste dia 4 de outubro, realizar um grande ato envolvendo a Câmara Municipal, Prefeitura, sociedade organizada e demais órgãos para mostrar ao Brasil e ao mundo que este município, pelo que já apresentamos em outras mobilizações, não quer esta atividade em seu território”, disse o prefeito Beto. A participação de toda a sociedade no evento, segundo o prefeito toledano, é necessária. “Precisamos estar atentos para, em conjunto e sem distinção de classe social ou vertente ideológica, defender nosso território. Somos altamente produtivos e a exploração do gás de xisto pode prejudicar todo o nosso destaque agropecuário”.

Beto acrescentou que existe uma lei, produzida pelo Poder Executivo Municipal, proibindo a emissão de alvarás para empresas interessadas em explorar esta matriz energética. “Estamos fazendo os enfrentamentos necessários, mas este movimento não pertence a uma pessoa, a uma instituição. Ele é do povo de Toledo, a Prefeitura, que representa esta população, vai se mobilizar”. Beto ainda lembrou que existem outras fontes de energias renováveis, como o biometano, a energia solar e eólica. “Temos um potencial para produzir o gás natural a partir da biomassa residual da própria agropecuária, que já tem uma força muito grande em Toledo. Uma energia renovável, com ganho econômico e ambiental para nossos produtores rurais. Não precisamos explorar o Fracking em nossos limites”, frisou Beto.

Histórico da mobilização contra o Fracking em Toledo

A primeira movimentação em relação ao assunto em Toledo aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, onde foi realizada uma audiência pública para debater o fracking e informar a população sobre o sistema de exploração de gás e petróleo. A ação aconteceu em dezembro de 2013.

Na sequência, o prefeito Beto Lunitti recebeu a representante da sociedade civil na Comissão Nacional de Segurança Química, Zuleica Nycz, e o conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e presidente da Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas (FEPAN), Juliano Bueno de Araújo. O objetivo da visita foi esclarecer as informações da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Toledo e tratou do assunto.

Em fevereiro de 2014, na Câmara de Vereadores, um novo encontro promovido pela Casa de Leis toledana que mobilizou a Associação das Câmaras Municipais do Oeste do Paraná (ACAMOP) e resultou na Carta de Toledo, documento que aponta o descontentamento da Região Oeste em relação ao fracking.

No dia três de junho do mesmo ano, mais uma ação. Foi organizada uma passeata pacífica com a concentração em frente à Prefeitura que se dirigiu até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na Avenida Parigot de Souza. O evento reuniu aproximadamente duas mil pessoas e a mobilização resultou em uma liminar que impediu temporariamente o início dos trabalhos.

Além disso, em fevereiro de 2014, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.