A mobilização contra o fracking programada para o próximo domingo (04), a partir das 17h, no Parque Ecológico Diva Paim Barth em Toledo já é considerada referência para as demais regiões do Brasil e do mundo. Esta afirmação foi feita pela diretora da 350.org Brasil, Nicole Figueiredo de Oliveira. O movimento conta com a adesão da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT); Sindicato Rural, que organiza um tratoraço; Associação Profissional dos Contabilistas de Toledo e demais entidades; além da mobilização promovida pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) junto às agremiações que participaram do Desfile Cívico do Dia da Independência. As igrejas também já estão engajadas na luta.
A intenção de juntar os diversos setores da sociedade civil em um momento de mobilização contra o fracking foi capitaneada pela Prefeitura e a Câmara de Vereadores e se tornou um exemplo para as demais localidades. A Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e a 350.org Brasil Coesus afirmaram que este posicionamento é motivos de estudos internacionais sobre a união de uma população. “Toledo é uma referência na luta em favor das energias renováveis e contrários aos combustíveis fósseis. Em nenhum dos 150 países que atuamos com a 350.org nós observamos esta unidade de diversos setores e isso torna vocês referência mundial e um modelo a ser seguido”, afirmou Nicole.
O fraturamento hidráulico de rocha para extração de gás de xisto é considerado nocivo ao solo. Órgãos de saúde, institutos e universidades no mundo todo já apresentaram estudos científicos que comprovam o quão danosa é esta atividade. “A contaminação provoca danos à saúde, como cânceres, problemas nos sistemas nervoso e respiratório, infertilidade, principalmente em mulheres e má formação de nascituros”. Países como a Inglaterra, França, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Austrália tem problemas com a utilização deste tipo de matriz energética. Milhares de produtores rurais tiveram suas lavouras impactadas e alimentos não podem ser exportados.
No Paraná existem vários lotes que foram comercializados e a exploração pode causar sérios danos ao meio ambiente. “Nós não podemos deixar que um município e um estado que tem tanta significância na produção de grãos e alimentos seja dizimado por uma tecnologia exploratória que traz tantos riscos de contaminação por materiais tóxicos e radioativos”, disse Nicole Figueiredo.
Programação
A intenção é iniciar a mobilização às 17h e a utilizar um sistema de som para alertar as pessoas sobre os riscos do fraturamento hidráulico para exploração do gás de xisto. Também serão distribuídos materiais de orientação sobre o problema. “Nossa intenção é mostrar para o mundo que não queremos o fracking em nossas terras”, afirmou o prefeito Beto Lunitti. “Queremos uma grito de alerta e dizer às pessoas que querem aplicar esta tecnologia em nosso município que eles não terão vida fácil”, acrescentou.
Histórico da mobilização contra o Fracking em Toledo
A primeira movimentação em relação ao assunto em Toledo aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, onde foi realizada uma audiência pública para debater o fracking e informar a população sobre o sistema de exploração de gás e petróleo. A ação aconteceu em dezembro de 2013.
Na sequência, o prefeito Beto Lunitti recebeu a representante da sociedade civil na Comissão Nacional de Segurança Química, Zuleica Nycz, e o conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e presidente da Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas (FEPAN), Juliano Bueno de Araújo. O objetivo da visita foi esclarecer as informações da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Toledo e tratou do assunto.
Em fevereiro de 2014, na Câmara de Vereadores, um novo encontro promovido pela Casa de Leis toledana que mobilizou a Associação das Câmaras Municipais do Oeste do Paraná (ACAMOP) e resultou na Carta de Toledo, documento que aponta o descontentamento da Região Oeste em relação ao fracking.
No dia três de junho do mesmo ano, mais uma ação. Foi organizada uma passeata pacífica com a concentração em frente à Prefeitura que se dirigiu até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na Avenida Parigot de Souza. O evento reuniu aproximadamente duas mil pessoas e a mobilização resultou em uma liminar que impediu temporariamente o início dos trabalhos.
Além disso, em fevereiro de 2014, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.
