05 de Outubro de 2015 at 17:09h

Milhares de pessoas participaram de mobilização contra o Fracking em Toledo

Milhares de pessoas participaram, no domingo (04), do protesto contra o Fracking em Toledo. A ação aconteceu no Parque Ecológico Diva Paim Barth e envolveu diversas entidades da sociedade civil, entre elas a Prefeitura e a Câmara de Vereadores. O coordenador geral da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus), Juliano Bueno de Araújo, participou do ato realizado também em 28 municípios em todo o mundo. A intenção é coibir a extração do gás de xisto por meio do fraturamento hidráulico na região.

“É o melhor exemplo de plena cidadania”, disse o coordenador da Coesus. Segundo ele, a unidade de representantes do setor produtivo, lideranças políticas e empresariais e famílias demonstra o compromisso da sociedade toledana em não permitir a entrada do Fracking no município. “Um povo unido ao ‘Não Fracking Brasil’, ao ‘Não Fracking Toledo’ para garantia de que todos nós tenhamos água, uma capacidade de produção agrícola e acima de tudo o direito à vida”. Juliano parabenizou aos organizadores que demonstraram o interesse de cuidar do povo toledano. “Reforço o convite para apoiar o movimento ‘Não Fracking Toledo’, pois só assim teremos garantia de que a água contaminada não chegue a nossas torneiras, não chegue aos nossos filhos”, concluiu.

Vários grupos estiveram reunidos. Um deles caminhou desde o Jardim Coopagro com faixas e cartazes em uma procissão organizada pela Paróquia São Francisco de Assis. O Fórum das Mulheres de Toledo apresentou uma carta de repúdio ao Fracking. “Foram muitas organizações que se dispuseram a participar conosco. Vale ressaltar a presença da ACIT, Caciopar, grupos de jovens, além de diversos moradores preocupados com o fraturamento hidráulico”, afirmou o prefeito Beto Lunitti ao lembrar que o movimento é da sociedade toledana. “É preciso estar alerta e o povo de Toledo mostrou e que esta exploração não é bem vinda em nosso município”, reafirmou.

Toledo deve enviar seis ônibus ao movimento no Rio de Janeiro no dia 18 de outubro contra o leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de exploração de novas áreas com uso do fracking. Os interessados podem buscar informações na Câmara Municipal. “A Câmara de Vereadores de Toledo irá organizar as pessoas para viajarem até o Rio de Janeiro para demonstrar o descontentamento dos toledanos em relação a este problema”, disse o presidente da Câmara, vereador Ademar Dorfschmidt acrescentando que o Poder Legislativo de Toledo vem encampando uma luta contra o Fracking, por meio de discussões e fóruns, e agora irá formar a primeira frente parlamentar contra a exploração do gás de xisto. Além do presidente, os vereadores Tita Furlan, Vagner Delabio, Sueli Guerra, Expedito Ferreira, Walmor Lodi, Renato Reimann, Luís Fritzen, Airton Paula e Edinaldo Santos participaram do ato.

O poder legislativo estadual e federal também se manifestou em Toledo por meio dos deputados estaduais José Carlos Schiavinato, que esteve presente no ato, Márcio Pacheco e Evandro Araújo, além de receber um assessor parlamentar do deputado federal Diego Garcia.

Movimento reuniu diversos setores

O movimento em Toledo juntou diversos setores da sociedade civil em um momento de mobilização contra o fracking foi capitaneada pela Prefeitura e a Câmara de Vereadores e se tornou um exemplo para as demais localidades. A Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e a 350.org Brasil Coesus afirmaram que este posicionamento é motivos de estudos internacionais sobre a união de uma população.

O fraturamento hidráulico de rocha para extração de gás de xisto é considerado nocivo ao solo. Órgãos de saúde, institutos e universidades no mundo todo já apresentaram estudos científicos que comprovam o quão danosa é esta atividade. “A contaminação provoca danos à saúde, como cânceres, problemas nos sistemas nervoso e respiratório, infertilidade, principalmente em mulheres e má formação de nascituros”, disse o coordenador Juliano Bueno de Araújo. Países como a Inglaterra, França, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Austrália tem problemas com a utilização deste tipo de matriz energética. Milhares de produtores rurais tiveram suas lavouras impactadas e alimentos não podem ser exportados.

No Paraná existem vários lotes que foram comercializados e a exploração pode causar sérios danos ao meio ambiente. “Nós não podemos deixar que um município e um estado que tem tanta significância na produção de grãos e alimentos seja dizimado por uma tecnologia exploratória que traz tantos riscos de contaminação por materiais tóxicos e radioativos”, concluiu.

O agricultor Egon Portz afirmou ser necessária a mobilização de toda a sociedade toledana para evitar o início das atividades em Toledo. “É algo danoso para nosso solo, pode contaminar nossos lençóis freáticos e impedir nossas exportações. Não podemos permitir isso. Estão leiloando nosso subsolo, mas na minha propriedade ninguém vai entrar para explorar o que existe embaixo”, disse o representante do Sindicato Rural de Toledo. Outras entidades puderam participar e demonstrar sua indignação em relação ao fraturamento hidráulico como a Caciopar, Faciap, ACIT e demais grupos organizados.

Histórico da mobilização contra o Fracking em Toledo

A primeira movimentação em relação ao assunto em Toledo aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, onde foi realizada uma audiência pública para debater o fracking e informar a população sobre o sistema de exploração de gás e petróleo. A ação aconteceu em dezembro de 2013.

Na sequência, o prefeito Beto Lunitti recebeu a representante da sociedade civil na Comissão Nacional de Segurança Química, Zuleica Nycz, e o conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e presidente da Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas (FEPAN), Juliano Bueno de Araújo. O objetivo da visita foi esclarecer as informações da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Toledo e tratou do assunto.

Em fevereiro de 2014, na Câmara de Vereadores, um novo encontro promovido pela Casa de Leis toledana que mobilizou a Associação das Câmaras Municipais do Oeste do Paraná (ACAMOP) e resultou na Carta de Toledo, documento que aponta o descontentamento da Região Oeste em relação ao fracking.

No dia três de junho do mesmo ano, mais uma ação. Foi organizada uma passeata pacífica com a concentração em frente à Prefeitura que se dirigiu até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na Avenida Parigot de Souza. O evento reuniu aproximadamente duas mil pessoas e a mobilização resultou em uma liminar que impediu temporariamente o início dos trabalhos.

Além disso, em fevereiro de 2014, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.