No dia 16 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Alimentação. A comemoração teve início em 1981 e é lembrada em mais de 150 países como uma importante data para conscientizar a opinião pública sobre as questões da nutrição e alimentação. A data marca ainda a fundação da FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.
Em Toledo, a data é um momento especial. Atendendo cerca de 10 mil crianças da rede municipal de ensino, os diversos projetos do município, entre outros locais, além das milhares de pessoas que passam mensalmente nos Restaurantes Populares, a Unidade Central de Produção de Alimentos de Toledo (Cozinha Social) cumpre seu papel de contribuir para a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). As ações vão desde a seleção, preparo e distribuição de alimentos seguros e saudáveis até a realização de educação nutricional dirigida às pessoas atendidas.
Gerenciada como uma enorme central de recebimento dos alimentos fornecidos pela agricultura familiar toledana, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a Cozinha Social de Toledo tornou-se um modelo para todo o país. Para realizar todo esse atendimento, ela conta em sua estrutura, com a Panificadora Social, cinco Restaurantes Populares e a Usina de suco de soja.
De acordo com o diretor da Unidade, Luiz Carlos Bazei, o projeto surgiu em 2006, quando foram verificados locais de vulnerabilidade social em diversos pontos do município. “Locais onde existem trabalhadores em que a refeição não é fornecida pela empresa, crianças em idade escolar, idosos e pessoas de baixa renda. A partir disso, iniciou-se a entrega de alimentos para projetos sociais que envolvam crianças, adolescentes, adultos e idosos e em unidades básicas de saúde”, explicou.
Segundo Bazei, o papel da Cozinha Social contempla o contexto da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional incluída entre os direitos sociais previstos no artigo 6° da Constituição Federal. “O direito à alimentação adequada é um direito humano essencial a todas as pessoas, de ter acesso regular, permanente e irrestrito, quer diretamente ou por meio de aquisições financeiras, a alimentos seguros e saudáveis. Com o trabalho desenvolvido, nós conseguimos proporcionar isso à população toledana”, comentou.
Entre os objetivos da Unidade estão oferecer refeições completas à população atendida nos restaurantes populares; atender de forma completa, de acordo com a legislação, as crianças da rede municipal no perímetro urbano e rural através da merenda escolar; oferecer lanches adequados a faixa etária de crianças e adolescentes atendidos em projetos sociais; fornecer suco e leite de soja para pessoas com recomendações médicas para esse alimento; atender projetos destinados a pessoas na melhor idade. “Além disso, fornecemos, quando necessário, lanches diferenciados para eventos municipais e programamos entregas com logística preestabelecida e também fazendo papel de saúde preventiva”, explicou o diretor.
Panificadora Social
Os locais atendidos pela Panificadora Social fazem parte, em sua maioria, das Secretarias de Assistência Social, Educação, Esporte e Lazer, Recursos Humanos, Meio Ambiente, Políticas Públicas para Mulheres, Administração, Habitação e Urbanismo, Saúde e do Gabinete do Prefeito. Também são atendidas 33 Unidades da Pastoral da Criança e 36 Grupos Organizados de Idosos.
A nutricionista da Cozinha Social, Denise Gomes Hoffmann explicou que, visando atender a população da melhor forma, a Panificadora Social busca a implantação de novas receitas e padrões de cardápios que possibilitem a garantia da segurança alimentar e nutricional. “Os cardápios são elaborados tendo em vista a grande variedade de público atendido, desde crianças, passando por jovens e adultos até idosos”, destacou.
São utilizados legumes e vegetais variados, palmito e ricota fresca. O resíduo de soja oriundo da Usina de suco de soja enriquece pães. O uso de embutidos é limitado e todas as preparações são assadas, o que reduz drasticamente o uso de óleo o que as torna mais saudáveis. “Essas são algumas das medidas tomadas pelo nutricionista responsável com a colaboração de toda a equipe da Panificadora Social sempre com o objetivo de fornecer uma alimentação saudável à população”, afirmou Denise.
Para o próximo ano uma das mudanças prevista é a utilização de farinhas integrais nas massas salgadas visando o aumento da ingestão de fibras pelos usuários incentivando a adoção deste hábito saudável.
Alimentação Escolar
A Cozinha Social é responsável pelo atendimento através de refeições transportadas de todas as escolas municipais localizadas no perímetro urbano e rural de Toledo, incluindo as escolas que atendem alunos em período integral. O cardápio é elaborado de forma que as refeições cubram as necessidades nutricionais dos alunos durante o período letivo.
“O objetivo da alimentação escolar é contribuir para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional”, afirmou a nutricionista da Cozinha Social, Denise Hoffmann.
Restaurantes Populares
O público atendido nos Restaurantes Populares é de cerca de 2000 pessoas diariamente. Grande parte das pessoas procuram alimentar-se nos Restaurantes Populares devido a alimentação de qualidade oferecida a um preço acessível. “ Para o preparo de uma alimentação saudável quesitos como pouco sal, pouca gordura e pouco açúcar devem ser levados em consideração”, afirmou a nutricionista da Cozinha Social Denise Gomes Hoffmann.
Há ainda a preferência pela utilização de produtos fornecidos pelos agricultores familiares de Toledo, principalmente saladas e carne, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Federal e Municipal.
Educação Alimentar e Nutricional
Graças à grande variedade de públicos que recebem os alimentos preparados pela Cozinha Social por meio da Panificadora Social é possível alcançar com as atividades de educação alimentar e nutricional desde crianças, gestantes, adolescentes, jovens e idosos, entre outros.
As atividades de educação nutricional são solicitadas por meio de ofício, contato telefônico ou email. Após a verificação da disponibilidade de data e horário, a nutricionista responsável levanta informações como o assunto a ser tratado, número de participantes, tempo de duração da atividade, local, público-alvo entre outras. De posse de tais informações é realizado o planejamento de cada atividade e o desenvolvimento dos materiais educativos. Nas datas agendadas a nutricionista se dirige ao local marcado e realiza as ações previstas.
“Nota-se que com as ações de educação alimentar e nutricional os indivíduos passam a refletir sobre seus hábitos alimentares, acredita-se que por meio da educação nutricional as pessoas são instigadas a melhorar sua alimentação”, comentou o diretor Luiz Bazei.
A nutricionista Denise acrescentou que, devido ao tema alimentação saudável estar muito em moda na mídia, a maioria das pessoas já tem alguns conceitos formados e que nem sempre correspondem a realidade. “Por isso cabe ao nutricionista a divulgação do conhecimento científico de uma forma simples e de fácil compreensão pela população em geral. De posse do conhecimento básico sobre alimentação e nutrição é possível que cada indivíduo desenvolva seu senso crítico para a seleção de uma dieta adequada e, além disso, adote hábitos de vida saudáveis”, afirmou.
