16 de Fevereiro de 2016 at 17:32h

Promotoria ameaça extinguir Programa de Coleta Seletiva caso população não mude seus hábitos

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (16) no Ministério Público de Toledo, o promotor de Meio Ambiente, Giovani Ferri, expôs uma situação que considerou “lastimável” e que vem acontecendo no município em relação ao Programa de Coleta Seletiva. Os contêineres disponibilizados para destinação de materiais recicláveis estão sendo utilizados de forma inadequada.

Apesar da ampla divulgação do programa nos últimos quatro anos e das mensagens identificando o que pode e o que não pode ser colocado em cada recipiente, é comum encontrar contêineres abarrotados com outros tipos de materiais. Tal situação compromete o recolhimento dos resíduos, além de inviabilizar o processo de separação e reaproveitamento dos mesmos.

“Infelizmente estamos nos deparando com uma situação lastimável. A mesma sociedade que cobra do poder público, a mesma sociedade que cobra das autoridades investimentos na área ambiental é a mesma sociedade que não está colaborando para que esses processos de reciclagem avancem”, desabafou o Promotor de Justiça durante a entrevista.

Ele argumentou que foram liberados, por meio do Fundo Municipal de Meio Ambiente, quase R$ 200 mil para investir em processos de reciclagem. Foram comprados 150 contêineres com o objetivo de fazer a coleta seletiva, além da coleta porta a porta que já existe em Toledo. Por mês o município paga R$17 mil para fazer a coleta desses 150 contêineres, um custo de mais de R$ 200 mil ao ano. “E só estamos aproveitando cerca de 30% desses materiais, 70% está sendo desperdiçado por falta de Educação Ambiental”, informou o Promotor Giovani Ferri.

Ele disse ainda que a situação está tão crítica e é comum encontrar animais mortos, fraudas sujas, fezes de cachorro, material de construção civil, resto de sofá, resto de colchão, travesseiros velhos, restos automotivos, entre outros resíduos. “Tudo que se pensar você encontra nesses contêineres. Isso nos chama a atenção, pois nenhum projeto vai funcionar se não houver participação da sociedade. Em 2015 foram coletadas 860 toneladas de resíduos, porém 610 toneladas foram jogadas fora. Isso é um absurdo. É dinheiro público jogado fora”, frisou.

Alerta

Com base no comportamento da população, que insiste em jogar resíduos não recicláveis e alguns até contaminantes nos contêineres espalhados pelo município, o Promotor de Justiça, Giovani Ferri, ameaçou impedir a continuidade do Programa de Coleta Seletiva.

“Eu não vou admitir que se tire mais de R$ 200 mil do Fundo Municipal do Meio Ambiente para investir em um programa que não está funcionando. E não está funcionando não por culpa do Poder Público, mas sim por conta da população. Não vou generalizar, mas são pessoas que tem amplo acesso a informação. O problema não é isolado, acontece em toda a cidade. Não basta transferir a responsabilidade para o Poder Público. O remédio para resolver esse problema é a Educação Ambiental”, frisou Ferri.

O secretário de Meio Ambiente, Edemar Rockenbach, complementou as palavras do promotor. “A cada dois ou três dias se recolhe o lixo domiciliar, então não se justifica certos tipos de lixo que estão sendo jogados nos contêineres amarelos. Principalmente pelo fato de que estamos oportunizando para o cidadão a possibilidade de descartar vários tipos de resíduos como geladeiras, sofás, entre outros, todos os sábados nas ações do Ecoponto Itinerante”, frisou.

Durante a coletiva de imprensa foram apresentadas várias fotos ilustrando o descaso da população e os tipos de resíduos descartados. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o contrato com a cooperativa de catadores responsável pela coleta dos materiais encerra no mês de setembro de 2016. Este é o prazo para que a população mude seus hábitos em relação ao Programa de Coleta Seletiva.