Unir a preservação dos animais à saúde pública. Esse é o objetivo do projeto: Estudo piloto da situação sanitária dos animais silvestres do município de Toledo, desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Conselho do Meio Ambiente e Secretaria do Meio Ambiente. O projeto foi iniciado nesta quarta-feira (21) e terá a duração de um ano e meio. Serão capturados e acompanhados 180 animais, sendo 40 quatis (Nasua nasua) – 50 gambás-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e 90 pombos-domésticos (Columbia livia).
Os animais deverão ser capturados no Parque das Aves, Parque do Povo, Parque Genovefa Pizzatto e na Associação dos Servidores Municipais de Toledo (Assermuto). Serão instalados microchips nos animais e feita a coleta de sangue, observação da cárie dentária e conservação geral do animal.
O vice-prefeito João Batista Tita Furlan, também secretário municipal de Meio Ambiente, destacou que este trabalho é muito importante, por permitir conhecer melhor a fauna do município e eventuais problemas na saúde pública, caso ocorra a transmissão de doenças pelos animais. O trabalho, que conta com a parceria da UFPR, não envolve apenas retratar a situação atual, mas serve de parâmetro para nortear as ações de preservação, salienta Tita. Este projeto é uma das ações do plano de biodiversidade, aprovado em audiência pública. O município de Toledo é o segundo a implantar este plano, que serve de exemplo para os demais municípios.
De acordo com a bióloga do Parque das Aves, Lilian Cardoso, o Parque das Aves foi escolhido como modelo piloto para verificação do funcionamento das armadilhas, das anestesias e metodologias utilizadas. “E o primeiro projeto em parceria com a Universidade, por isso esse primeiro encontro foi uma forma de teste, para verificarmos como serão as próximas capturas”.
Lilian explica que algumas espécies que não estão nos planos, poderão ser analisadas. “Nesse primeiro dia de análise a nossa primeira captura foi de um cachorro do mato (Cerdocyon thous), animal que não tínhamos o objetivo de analisar. Mesmo assim, é válido pois vamos ter o conhecimento dos animais que estão se desenvolvendo no nosso munícipio”, comenta a bióloga.
“O propósito também está na relação direta com as zoonoses, que são as doenças que os animais podem transmitir para os seres humanos. Por essa razão, serão avaliados vários parâmetros e os aspectos ecológicos”, comenta a bióloga, Lilian Cardoso. O projeto, complementa Lilian, vai permitir conhecer melhor a nossa fauna, além de tirar o medo da sociedade sobre doenças que podem ser transmitidas pelos animais.
O professor e Médico Veterinário, Anderson Luiz de Carvalho, responsável pera área de medicina e conservação da fauna silvestre, do hospital veterinário da UFPR de Palotina, explica que são poucos relatos de municípios que realizam esse tipo de análise com as animais silvestres que vivem nos parques dentro da aérea urbana.
“Vamos coletar amostras de sangue, mandar para laboratórios para avaliar sobre os perigos ou não dos animais em relação a transmissão de doenças. Além disso, estamos realizando um check-up sobre peso, tamanho, pelo, temperatura corporal presença de carrapatos, piolhos e pulgas”, explica o médico veterinário.
O professor relata que todo o cuidado na hora da captura e essencial para não machucar o animal e tornar o processo menos traumático. “Para uma espécie de animal silvestre, a captura equivale a um susto ou um trauma maior como um assalto. Por conta disso, são considerados todos os fatores, visando a menor interferência possível”.
Texto: Nubia Hauer
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