Se o mato fechado e as condições adversas da época não impediram que os pioneiros colonizassem Toledo, não seria uma simples chuvinha que impediria o 31º Encontro dos Pioneiros do município de acontecer. Cerca de 850 pioneiros e familiares participaram do almoço oferecido pelo Município, por meio da Secretaria de Cultura. A festa aconteceu nesta terça-feira (27) no Recanto Verde, na Vila Industrial, próximo ao Parque do Povo.
Foram convidadas as famílias pioneiras que chegaram a Toledo no período de 1946 (data da fundação da cidade) a 1954 e que estão cadastradas no Museu. O evento contou com a participação do prefeito, vice, vereadores e servidores das secretarias envolvidas na organização. Somados aos contratados pelo buffet, cerca de 100 pessoas estiveram envolvidas diretamente na organização.
A organizadora do evento, Magda Ritter, disse que há quase três meses as equipes se dedicam nos preparativos para que esta justa homenagem aos pioneiros acontecesse da melhor forma. Com a saída do vice-prefeito Tita Furlan do comando da Secretaria de Cultura, ela assume essa função a partir de agora.
“Alguns convidados não vieram em virtude do tempo e também tivemos a notícia de que um dos pioneiros, Santo Rossoni, faleceu nesta segunda-feira (26). Com isso algumas famílias ligadas a ele acabaram deixando de vir. Mas a maioria dos convidados compareceram. O trabalho realizado pela equipe do Museu Willy Barth para que os convites chegassem até os pioneiros e familiares para não deixar ninguém de fora foi realizado e o evento mais uma vez foi um sucesso”, avaliou Magda.
O prefeito Lucio de Marchi agradeceu a todos os pioneiros e familiares presentes. Aproveitou para exaltar o empenho de todos os prefeitos que administraram o município. “Cada um ao seu tempo fez o possível para o desenvolvimento de Toledo. Os pioneiros deixaram aqui uma história de sucesso para o progresso de nossa cidade. Alguns já partiram, mas deixaram seus familiares, a quem hoje prestamos nossas homenagens”, exaltou.
Atividades
Na programação: recepção, roda de chimarrão, momento de ação e bênçãos, almoço, e matinê para animar o público. Também puderam aproveitar os espaços para fazer aquele registro fotográfico. O encontro realizado anualmente tem como objetivo proporcionar o reencontro dos colonizadores do município. Também é uma forma de valorizar com quem tanto contribuiu para a formação da cidade.
Participação
O pioneiro e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Toledo, Delvo Baldin, disponibilizou a foto em que mostra sua participação já no primeiro Encontro dos Pioneiros, que aconteceu em 1987 no Clube do Comércio de Toledo. Na foto estão Reynilda e Alberto Philippsen, Alvarino Ceolato, Delvo e Florindo Baldin. “Dos quais só resta eu. Os demais faleceram”, lamenta Delvo.
Ao ser questionado o que mudou de lá pra cá de forma sentimental ele responde: “É algo que me arrepia. Hoje eu olho ao redor e percebo que muitos dos meus amigos não estão mais aqui, nem meu pai, nem pessoas que a gente conheceu e sempre confraternizava nos encontros. Muita saudade desses momentos felizes”, relatou com nostalgia.
Delvo disse que o Encontro tem um significado especial, pois “hoje a gente vê as pessoas alegres, satisfeitas e realizadas. Quando elas vieram para cá, e é o meu caso, os amigos do meu pai diziam 'vocês vão para o Paraná? Vão morrer. Vão ser comidos pelos bichos'. E hoje tá todo mundo bem aqui. Meu pai disse que queria morrer aqui, pois em Toledo ele conseguiu criar os filhos, dando sustento e qualidade de vida. O que temos hoje é graças a eles. O poder público está entendendo com essas homenagens que é uma forma de gratificação para aqueles que tanto trabalharam para construir e desenvolver Toledo”.
Delvo chegou em Toledo no dia 13 de abril de 1953 com menos de um ano de idade. Sua família veio de Lagoa Vermelha, região de Passo Fundo / RS. Hoje ele mora na Linha Lageado em Vila Nova.
Evolução
A agricultora Evanir Mariah Sade mora em Vila Ipiranga e também veio do Rio Grande do Sul quando tinha três anos. “Desde então eu nunca mais sai daqui de Toledo, hoje eu estou com 57 anos. Esse crescimento da cidade é algo maravilhoso, sempre tem que progredir, não dá para parar no tempo. Lembro que quando viemos era puro mato, não tinha nada, íamos para a escola de cavalos por uma estradinha e agora a maioria das localidades é asfaltada”, avaliou a evolução.
Marlene Zibeti mora no município há 63 anos. “Nós saímos da poeira e viemos para o asfalto. Toledo cresceu e agora nós estamos bem. O almoço dos pioneiros é muito importante, porque encontramos pessoas que há muitos anos não víamos. Esse é um momento que temos para colocar a conversa em dia. Toledo é uma cidade muito boa para morar”, afirmou.
A mesma opinião é compartilhada por Valter Bizegmar, que tem 64 anos e mora em Toledo desde que nasceu. “Pra mim é fantástico ver o tamanho que a cidade se desenvolveu”.
Melhor cidade
O pioneiro João Eleutério Areco tem 80 anos, nasceu em Guaíra e chegou em Toledo em 1948. Ele conta que antes dos gaúchos chegarem para fazer suas lavouras, os paraguaios é que abriram terreno nas matas da região. O pai de João é paraguaio e a mãe é argentina. Ele disse que já conheceu várias cidades do Brasil. “Mas Toledo é uma das melhores cidades para se viver”. Ele só lamenta que a educação das crianças antigamente era diferente. “É a única coisa que piorou. Antes as crianças respeitavam mais os mais velhos, hoje em dia não é assim nem em casa, nem na escola”.
O sonho
Para Juvenal Mariano Duarte, de 81 anos, desde que chegou em Toledo até agora é difícil até de imaginar. “Mudou muito. Ver Toledo hoje é um sonho, muitos que conheceram aquela época não acreditam nessa evolução. Não tenho palavras pra dizer o quanto melhorou. Me orgulho de Toledo. Não tem outro lugar melhor. O poder público valoriza muito os pioneiros. Eu participei de quase todos os encontros. Aqui é o lugar do futuro. Quem vem pra conhecer acaba se instalando e ficando por aqui”, disse com entusiasmo o pioneiro.
Juvenal lembra com exatidão a sua chegada na cidade. “Cheguei em 26 de outubro de 1947 às cinco da tarde”. Ele disse que a viagem de Caçador / SC durou treze dias e até hoje está marcada em sua memória. Em Toledo ele criou sua família e sonha com dias ainda melhores para todos.
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