suzi.lira 09 de Janeiro de 2019 at 19:12h

Azul: voos comerciais mudam a vida das pessoas

Nesta quarta-feira, 9 de janeiro de 2019, pousou no Aeroporto Municipal de Toledo - Luiz Dalcanale Filho - o primeiro voo comercial da Azul Linhas Aéreas. A aeronave veio de Curitiba e trouxe, além dos 72 passageiros, perspectivas de crescimento e desenvolvimento econômico para Toledo.

 

Para entender um pouco do impacto que isso irá gerar no município, trazemos também a opinião de várias pessoas, umas que se beneficiarão diretamente e outras que influenciarão no desenvolvimento da economia toledana.

 

“É importante que o cidadão entenda este momento histórico. Mesmo que a pessoa não faça uso do aeroporto, ela vai acabar colhendo os frutos. As perspectivas são de melhorias tanto para o comércio, quanto para a indústria, o agronegócio e o setor de prestação de serviços. De alguma forma, direta ou indiretamente, representa um ganho para todos”, explicou o Chefe de Gabinete e responsável pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnológico, Inovação e Turismo, Jozimar Polasso.

 

Para o Presidente da Acit e um dos primeiros a descer do primeiro voo, Marcos Destefeni, os voos comerciais da Azul irão contribuir com os negócios locais, trazendo mais investimentos e melhor qualidade de vida a todos os toledanos pois “O Aeroporto de Toledo é a forma de levar e trazer pessoas mais rapidamente aos grandes centros. Sabemos que nem todos usam aeroporto, mas as empresas precisam trazer profissionais para trabalhar, para dar aula nas universidades e palestrantes em geral. Também para trazer técnicos pra consertarem os equipamentos e para que façam demonstrações”, comentou.

 

“Isso vai engrandecer não somente a eles, mas grandes eventos como a Feira Shop, a Femai, a ExpoToledo, a Festa do Porco, entre outras. As autoridades precisam vir com acesso e retorno rápido. Então o aeroporto, que é uma luta há anos nossa, veio trazer essa facilidade para nós. Temos agora um voo inaugural com Curitiba e sabemos que a demanda está sendo boa por parte da Azul. Seguimos na luta para melhorar ainda mais o nosso aeroporto e aumentar o número de destinos também”, salientou Destefeni.

 

O Presidente da Prati-Donaduzzi, Eder Fernando Maffissoni, reforçou as inúmeras vantagens que a aviação comercial traz para toda comunidade de Toledo. “Primeiro que traz grande facilidade para o deslocamento de profissionais liberais, executivos das empresas, do comércio, da indústria local. E o benefício vai um pouco mais longe, até para aquelas pessoas que acabam não usufruindo desse modal aéreo, pois traz o benefício de investidores que passam a ter Toledo como uma das suas opções de investimento. E isso representa recurso para o município, traz receita tributária, traz geração de empregos para toda a região onde essas pessoas que não são beneficiadas diretamente podem ser beneficiadas sim pela abundância de emprego”, reforça Eder.

 

Ele conta que no caso da Prati também existem muitos funcionários que se deslocam diariamente para grandes centros. “Sabemos que isso vai aumentar bastante a produtividade de todo esse pessoal. Por outro lado, temos muitos clientes, fornecedores, parceiros que tem a necessidade de vir até até Toledo para visitar a Prati ou para prestar algum tipo de serviço. E isso também traz uma agilidade maior para todo esse pessoal que vem até nós”, complementa.

 

Somente nos últimos cinco anos, a empresa trouxe até Toledo mais de 11 mil visitantes. Todos vieram pelo modal aéreo e utilizaram em sua maioria o aeroporto de Foz do Iguaçu para suas conexões.

 

Viagens familiares

O Cirurgião Dentista e Professor da Unioeste, Luiz Alberto Formighieri, relatou ter perdido as contas de quantas vezes teve que buscar ou levar familiares até Foz do Iguaçu.

 

“Tenho filhos que moram no Rio de Janeiro, em João Pessoa, eu tenho negócios fora do Estado também e que pela distância há a necessidade de transporte aéreo. Todas as vezes que meus filhos vem me visitar ou, que eu tenho que ir até o Maranhão, vou via aérea. E 90% das vezes por questão de logística tenho que ir a Foz do Iguaçu”, relata.

 

“Só que o fato de se deslocar até Foz você acaba perdendo além do tempo, também o custo: se você vai sozinho você tem que deixar o carro lá no estacionamento. Se alguém for te levar, acaba perdendo um dia de serviço. Além de termos que pagar pedágio, temos o desgaste do automóvel, a disponibilidade, então você acaba gastando um dia para ir e outro para voltar, mais o transporte aéreo”, lamenta Formighieri, que agora comemora os novos tempos.

 

“A vinda da Azul para Toledo, tendo esses voos aqui, com certeza vamos conseguir um transporte mais adequado. E pela qualidade do nosso aeroporto, dificilmente haverá dificuldade de pouso e decolagem. Vejo que não só a comunidade de Toledo, mas toda a região vão se beneficiar”, concluiu o Professor.

 

A dona Ingrid Jakobovitsch tem 75 anos, é natural da Alemanha, porém viveu mais de 60 anos em São Paulo e há cerca de um ano escolheu Toledo para viver. Todas as viagens que fez para São Paulo desde que veio para cá foram de ônibus, até descobrir que teria um avião da Azul pousando na cidade. Ela foi uma das primeiras a comprar passagem para pousar hoje aqui.

 

“Eu estou esperando isso há muito tempo. Quando fiquei sabendo que estavam vendendo passagem para janeiro pedi para meu filho comprar. Quando vinha sempre optava pelo ônibus para evitar transtornos em outros aeroportos. Sai de Guarulhos (SP) e peguei conexão em Curitiba. A primeira viagem foi muito boa. A tripulação bem divertida, gostei muito”, exaltou dona Ingrid. Segundo ela, o custo da viagem foi de R$ 330.

 

Outra passageira que chegou no primeiro voo foi a Designer de Curitiba, Maura Ritt. Ela veio visitar a mãe, que mora no Distrito de Vila Nova. “Cascavel é muito longe e aqui facilita muito mais a logística. É bem mais seguro, mais agradável e o risco de desvio para outro aeroporto é muito menor”, frisou Maura ao descer com o filho pequeno ainda nos braços.

 

Toledo não só ganha, como mantêm

Muitas autoridades políticas e empresariais se envolveram na luta para viabilizar a aviação comercial no município. Ficou claro que isso fortalece os negócios, diminui custos, atrai novos investidores, contribui com a geração de empregos (a começar no próprio aeroporto) e com novas relações de negócio.

 

Mas outro fator importante: o aeroporto ajuda a manter as grandes empresas de forma ativa na cidade. É o caso da Fiasul. Os executivos da empresa receberam diversas propostas para levarem suas estruturas e ampliarem sua fábrica em outras cidades do Paraná e até mesmo de outros estados. Isso não seria conveniente para todas as famílias que dependem direta ou indiretamente da empresa.

 

“Mas nós preferimos ficar aqui. Não temos como fugir daqui, então resolvemos encarar de frente essa luta”, afirmou o empresário Augusto José Sperotto, um dos entusiastas deste projeto. “Até ontem tínhamos um campo de aviação em Toledo. Hoje temos um aeroporto”, disse ele na cerimônia que comemorou esse novo marco.

 

Para ele, não só Toledo, mas toda a Região Oeste será beneficiada. Sperotto comentou sobre a necessidade de trazer técnicos para fazer a manutenção de equipamentos, além de outras necessidades que impactam diretamente no custo do seu empreendimento.

 

“Se você for analisar do ponto de empresarial é o ‘pulo gato’ o que está acontecendo, porque nós vamos viabilizar o nosso aeroporto e viabilizar o Aeroporto de Cascavel. Nós teremos condições de nos programar comprar as passagens com antecedência e ter a certeza de que poderemos sair e chegar aqui com segurança”.

 

Ele mencionou que não é apenas o setor industrial que ganha com isso. “A empresa que diretamente não depende do aeroporto será beneficiada indiretamente e perceberá a diferença. Um aeroporto igual ao de Toledo, com as condições climáticas favoráveis, perfeito, era o que precisávamos para o Oeste do Paraná. Fará diferença na viabilização de projetos de grande envergadura de Toledo e região, além de viabilizar a normalização dos voos. E desta forma, normalizando o pensamento dos investidores, as indústrias que vem aqui poderão se instalar, vendo a normalidade da cidade”, conclui Sperotto.