17 de Abril de 2014 at 18:24h

Casal de cubanos chega em Toledo com o objetivo de trocar experiências

Com uma experiência de quase vinte anos em Saúde da Família, o casal de médicos Mariela Gonzalez Vale e Esmilso Hernandez chegam em Toledo com a vontade de contribuir para o desenvolvimento de ações relacionadas à saúde preventiva. Ambos atenderam a convocação realizada pelo governo cubano para prestar seus serviços no Brasil, por meio do Programa Mais Médicos. Em território nacional desde o mês passado, eles já passaram por alguns cursos e, na quinta-feira (17), desembarcaram em terras toledanas.

Atualmente, os médicos cubanos estão presentes em mais de 70 países. “Nossa maior riqueza é nosso capital humano. Somos um exército de jalecos brancos que promovem a saúde em diversos lugares no mundo todo”. Neste contexto, não é a primeira vez que eles deixam seu país de origem para atender outras localidades. “Nós já trabalhamos na Venezuela de 2003 até janeiro deste ano. Foi crescimento muito importante para nós, que foi além do que já tínhamos visto em Cuba”. Esmilso relatou que no princípio trabalhar com os venezuelanos foi difícil devido à politização do país. “Por este motivo, algumas pessoas desacreditavam muito no nosso trabalho”.

Na ocasião, segundo ele, a divulgação por parte da imprensa gerou muita expectativa. “Com o trabalho feito a cada dia a população compreendeu a importância da nossa presença, agora, mais de 80% da população da Venezuela gosta dos médicos cubanos, porque tiveram muitas mudanças na saúde, diminuição na mortalidade infantil, no trato com as pessoas que sofrem com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares”.

O Programa da Medicina da Família em Cuba começou no ano de 1984, na capital Havana, e rapidamente se estendeu para todo o país, devido aos bons resultados. “São mais de 30 anos de experiência, com indicadores muito bons”. Esmilso apontou que a expectativa de vida em Cuba é de 79 anos. “Melhor do que a média de muitos países desenvolvidos. As pessoas morrem com mais idade e vivem com mais qualidade”. A médica Mariela Gonzalez Vale lembrou os índices de mortalidade materno infantil em Cuba é de 20 mulheres por cada 100 mil nascimentos. “Esta dentro do que é preconizado pela Organização Mundial da Saúde que é entre 10 e 20 mulheres por cada 100 mil. O Brasil teve no ano passado 64 mortes por cada 100 mil nascimentos, ou seja, três vezes mais que Cuba”.

Ao final, Mariela lembrou que existe o desejo dos médicos cubanos em compartilhar estas experiências para complementar o que já é realizado aqui no Brasil. “Não queremos mudar nada.  O Brasil tem muitos programas de saúde, todos estão escritos, mas, por falta de profissionais, as vezes não se consegue colocar todos em prática”. Atualmente, o Brasil tem 1,8 médicos por cada mil pessoas, enquanto Cuba tem seis. “Então, estamos aqui para trabalhar, para ajudar”, finalizou.