21 de Setembro de 2015 at 16:24h

Encontro define formato da mobilização contra o Fracking em Toledo

Um encontro na sexta-feira (18), no Auditório Acary de Oliveira, definiu algumas ações para a mobilização contra o Fracking em Toledo. A ação vai acontecer no Parque Ecológico Diva Paim Barth no dia 4 de outubro. A proposta aprovada pelas diversas entidades presentes é de iniciar a concentração às 17h, seguindo com apresentações, explanações sobre o tema, distribuição de materiais informativos e outras atividades. O encontro teve a presença dos especialistas no assunto Juliano Bueno de Araújo, coordenador da Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus), e Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil, que demonstraram os riscos do fraturamento hidráulico para a exploração do gás de xisto.

Países como a Inglaterra, França, Canadá, Estados Unidos, Argentina e Austrália tem problemas com a utilização deste tipo de matriz energética. Milhares de produtores rurais tiveram suas lavouras impactadas e alimentos não podem ser exportados. No Paraná existem vários lotes que foram comercializados e a exploração pode causar sérios danos ao meio ambiente. “Nós não podemos deixar que um município e um estado que tem tanta significância na produção de grãos e alimentos seja dizimado por uma tecnologia exploratória que traz tantos riscos de contaminação por materiais tóxicos e radioativos”, disse Nicole Figueiredo.

Órgãos de saúde do mundo todo e institutos e universidades bem conceituadas no mundo todos já apresentaram estudos científicos que comprovam o quão nociva é esta atividade. “A contaminação provoca danos à saúde, como cânceres, problemas nos sistemas nervoso e respiratório, infertilidade, principalmente em mulheres, e má formação de nascituros”. Um dos países que impediu a instalação do fracking, segundo a diretora foi a Áustria. “Eles fizeram a lição de casa, se manifestaram, estudaram e proibiram este tipo de atividade em seu território. O Brasil precisa seguir o mesmo caminho”, comentou Nicole.

Devido a todos estes relatos, o prefeito Beto Lunitti afirmou que Toledo precisa estar unida neste ano do próximo dia 4 de outubro. “Vamos mostrar ao Brasil e ao mundo que este município não quer esta atividade em seu território”. A participação de toda a sociedade no evento, segundo o prefeito toledano, é necessária. “Precisamos estar atentos para, em conjunto e sem distinção de classe social ou vertente ideológica, defender nosso território. Somos altamente produtivos e a exploração do gás de xisto pode prejudicar todo o nosso destaque agropecuário”.

Beto disse que a Prefeitura tem se empenhado e produziu uma Lei proibindo a emissão de alvarás para empresas interessadas em explorar esta matriz energética. “Estamos fazendo os enfrentamentos necessários, mas este movimento não pertence a uma pessoa, a uma instituição. Ele é do povo de Toledo, a Prefeitura, que representa esta população, vai se mobilizar”. Beto ainda lembrou que existem outras fontes de energias renováveis, como o biometano, a energia solar e eólica. “Temos um potencial para produzir o gás natural a partir da biomassa residual da própria agropecuária, que já tem uma força muito grande em Toledo. Uma energia renovável, com ganho econômico e ambiental para nossos produtores rurais. Não precisamos explorar o Fracking em nossos limites”, frisou Beto.

Toledo é exemplo na luta

Sobre o Fracking, ainda em 2013 o prefeito Beto Lunitti se preocupou em entender o processo de extração e consultou ambientalistas que apontaram os prejuízos que esse tipo atividade causaria a Toledo e a sua principal fonte de renda, a produção rural. Desde então, os diversos setores da sociedade, capitaneados pelos Poderes Executivo e Legislativo, iniciaram um trabalho junto às demais entidades e órgãos para conscientizar e mobilizar a população toledana contra o Fracking.

Os representantes da Coesus e da 350.org Brasil afirmaram que este posicionamento se tornou um exemplo para outras localidades e motivos de estudos internacionais sobre a união de uma população. “Confesso que quando recebi a ligação do prefeito Beto Lunitti para estar aqui falando sobre o fraturamento hidráulico fiquei ansiosa porque eu admiro o povo de Toledo. Esta admiração é pelo fato de vocês estarem unidos, de forma multissetorial, contra o Fracking. Vocês estão unidos pelo solo, pela água pura, pelo ar puro”, disse Nicole Figueiredo.

“Toledo é uma referência na luta em favor das energias renováveis e contrários aos combustíveis fósseis. Em nenhum dos 150 países que atuamos com a 350.org nós observamos esta unidade de diversos setores e isso torna vocês referência mundial e um modelo a ser seguido”, concluiu.

Histórico da mobilização contra o Fracking em Toledo

A primeira movimentação em relação ao assunto em Toledo aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, onde foi realizada uma audiência pública para debater o fracking e informar a população sobre o sistema de exploração de gás e petróleo. A ação aconteceu em dezembro de 2013.

Na sequência, o prefeito Beto Lunitti recebeu a representante da sociedade civil na Comissão Nacional de Segurança Química, Zuleica Nycz, e o conselheiro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e presidente da Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas (FEPAN), Juliano Bueno de Araújo. O objetivo da visita foi esclarecer as informações da audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Toledo e tratou do assunto.

Em fevereiro de 2014, na Câmara de Vereadores, um novo encontro promovido pela Casa de Leis toledana que mobilizou a Associação das Câmaras Municipais do Oeste do Paraná (ACAMOP) e resultou na Carta de Toledo, documento que aponta o descontentamento da Região Oeste em relação ao fracking.

No dia três de junho do mesmo ano, mais uma ação. Foi organizada uma passeata pacífica com a concentração em frente à Prefeitura que se dirigiu até a sede da Companhia Paranaense de Energia (Copel), na Avenida Parigot de Souza. O evento reuniu aproximadamente duas mil pessoas e a mobilização resultou em uma liminar que impediu temporariamente o início dos trabalhos.

Além disso, em fevereiro de 2014, em reunião da Associação das Câmaras e Vereadores do Oeste do Paraná (ACAMOP) também foi debatida a preocupação das autoridades em relação à exploração do gás de xisto. Nesta ocasião, Toledo junto com outros municípios da ACAMOP assinou a “Carta de Toledo Sobre os Riscos do Fracking” – dirigida à população, aos órgãos de imprensa, às autoridades constituídas e ao Ministério Público, pedindo a moratória do Fracking por 5 anos.