suzi.lira 10 de Outubro de 2018 at 17:49h

Mais de 500 pessoas participam de pré-conferências em Toledo

Terminou nesta quarta-feira (10) o ciclo de pré-conferências organizadas pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). A participação era critério necessário para a inscrição na VIII Conferência, que acontece no próximo dia 26 de outubro na PUC-PR Campus de Toledo. A estimativa da organização é de que aproximadamente 600 pessoas tenham participado das atividades.

 

“Superou todas as nossas expectativas”, avaliou a Presidente do CMDCA, Tatiani Guzzo. Durante os trabalhos, os participantes eram divididos em cinco grupos, onde discutiam e apresentavam proposta com base nos eixos temáticos definidos.

 

“Estamos muito felizes com as propostas apresentadas, principalmente com a participação dos adolescentes que já chegaram com pré-propostas. Sinal de que os assuntos já foram discutidos previamente”, comemorou a Presidente.

 

Chamou a atenção dos organizadores o fato dos jovens apresentarem propostas em várias políticas diferentes, como saúde, educação, segurança pública, entre outras. Também fizeram críticas pertinentes aos serviços direcionados a eles, à exemplo do Conselho Tutelar.

 

“Nos surpreendeu, pois foram propostas não só para o âmbito municipal, mas também estadual e nacional”, acrescentou Tatiani. Segundo ela o que despertou a angústia dos participantes foi o quantitativo de demandas de violência contra a criança e o adolescente.

 

Ela exemplificou citando que na última reunião do Conselho foram apresentados dados de atendimento do CREAS II, referente ao bimestre julho/agosto, onde foram registrados 78 casos, sendo que a tipificação do SUAS estabelece 50 como máximo. Além de uma demanda reprimida de 90 outros casos.

 

Participantes

O jovem Kauan Gabriel Vilela, de 15 anos, compareceu junto com outros adolescentes do Florir Toledo na pré-conferência realizada na manhã desta quarta-feira (10) na Unioeste. Ele participou dos grupos, das discussões e apresentou suas propostas e angústias para os demais.

 

“Muitas crianças e adolescentes não têm a oportunidade de falar, algumas tem medo outras tem vergonha. Aqui [na pré-conferência] é bem mais fácil da gente conversar, pois todos respeitam a opinião do outro, ficamos à vontade, discutem com maturidade”, avaliou.

 

Um dos pontos que Kauan se queixou foi dos vários tipos de preconceito que ainda existe nas escolas entre os próprios jovens. “As pessoas não valorizam o que somos por dentro, só o que somos por fora. Há intolerância dos colegas e isso causa sofrimento em muitos jovens. Tem famílias que não compreendem esses sofrimentos, pois muitas vezes a pessoa está tão pressionada que não consegue se explicar ou mesmo pedir o socorro que precisa”, argumentou.

 

Sistematização

Todas as propostas apresentadas nas seis pré-conferências serão sistematizadas pela organização e serão apresentadas na VIII Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente no dia 26. Todos os delegados (representantes que participaram das pré-conferências) poderão alterar e aprovar as propostas que serão encaminhadas para a Conferência Estadual. A participação na Conferência é aberta para toda a sociedade, porém apenas os delegados é que terão direito a voto.