Como meio de valorizar o patrimônio histórico e as memórias do município, os pioneiros de Toledo são convidados para participar do Programa Guaçu Notícias – Segunda Edição, transmitido pela Rádio Guaçu. Na oportunidade, a equipe do Museu Histórico Willy Barth leva os participantes ao programa para propagar a história da construção do município, de forma descontraída. O programa vai ao ar no terceiro sábado de cada mês, das 10h50 às 12h.
A ação que teve início no dia 16 de maio possibilita os atuais moradores de Toledo, um ensejo para conhecerem mais sobre o lugar onde vivem. Para o radialista responsável pela iniciativa, Édio Rosseto, a ideia principal é resgatar momentos vividos por aqueles que contribuíram com o desenvolvimento de Toledo. “Como algumas pessoas não têm o hábito da leitura, encontramos um meio diferente de chegar ao público. É um caso oportuno para que a atual população conheça e valorize a história do local. Será um instante de descontração e cultura”, comenta.
Contar histórias, situações vivenciadas e curiosidades fazem parte da proposta do programa. “A exposição de memórias vividas por eles trará ao público fatos que, talvez, ninguém imagina que tenham acontecido”, acrescentou.
Para a coordenadora do Museu Histórico Willy Barth, Rejane Rauber, esta conversa na rádio é uma boa forma de integrar os pioneiros entre si e com as novas gerações, e assim, buscar continuidade do processo histórico. “Contar as experiências, dificuldades enfrentadas, será um verdadeiro encontro com o passado. Bem como ressaltar a importância dos pioneiros desbravadores, recordando a luta que foi no início”, disse.
Rejane Rauber também destacou a importância de contar sobre a batalha dessas pessoas que ajudaram a construir um município tão desenvolvido. “Vejo também como uma forma de homenagear e reconhecer o esforço dos que primeiro chegaram aqui”, frisou a coordenadora.
O casal de pioneiros Beijamino Donasolo (89) e Alvira Cerutti Donasolo (84), que chegaram aqui por volta de 1948, contaram para a equipe do Museu, um pouco sobre como foi sua chegada aqui. “Quando chegamos havia apenas 16 casas. Não tinha escola, farmácia, mercado, hospitais, aliás, a única loja da época era relacionada com construção. Vendiam apenas dobradiças para portas, e mais algumas coisas que eram necessárias”, lembrou Alvira.
A busca por melhorias financeiras foi o principal motivo pela mudança do casal – que na época eram adolescentes e apenas conhecidos – e suas famílias. Beijamino veio do Rio Grande do Sul e Alvira de Santa Catarina. “As famílias vinham pelas terras. A princípio aqui era melhor de plantar”, mencionou Beijamino.
As diferenças entre as cidades não eram grandes, mas Alvira recorda como ficou impressionada com a beleza de Toledo e ainda relembra situações marcantes. “Apesar de ser um pequeno povoado, eu achava tudo muito bonito em comparação ao lugar de onde vim. Claro, as dificuldades da época eram muito grandes. Lembro-me que tinha muito mosquito, muitos bichos. Nunca esquecerei de quando eu e minha irmã tivemos que correr de um tigre. Foi um susto enorme!”.
Beijamino contou que a dificuldade nas questões de saúde e alimentação era inevitável no início. “Como não existia mercado, por um bom tempo buscávamos comida em Cascavel ou Porto Mendes. Era um tempo difícil, mas sempre nos viramos. Quando alguém adoecia, na falta de remédios eram usadas receitas caseiras. E o mais importante: apelávamos pela fé”, relatou.
A memória de Alvira, ainda permite que ela recorde facilmente de como passou fome, frio e adversidades. “Nada era fácil, desde ter que tomar banho com água gelada, até o fato de dormir em colchão de palha com mais dois ou três irmãos”, elucidou.
Para que mais histórias sejam compartilhadas no programa Guaçu Notícias, os interessados devem entrar em contato com Rejane Rauber através do telefone (45) 3277-3590 ou dirigirem-se até o Museu Histórico Willy Bart, na Avenida Tiradentes, no Centro Cultural Oscar Silva (prédio da Biblioteca Pública), de segunda à sexta-feira, das 8h às 11h45 e das 13h30 às 17h30. A realização tem apoio da Secretaria de Cultura de Toledo.
