suzi.lira 19 de Março de 2018 at 17:49h

Professores concluem último módulo do Projeto Saúde Integrativa na Escola

Na última semana, aconteceu o 4º encontro do Projeto Saúde Integrativa na Escola. Essa foi mais uma ação do Programa da Educação Ambiental da Itaipu Binacional, que acontece em parceria com as prefeituras municipais da Bacia do Paraná III e Conselho dos Municípios Lindeiros.

 

O encontro completou uma série de quatro módulos, totalizando 32 horas presenciais e mais uma carga horária complementar à distância. Em Toledo, 41 profissionais participaram do curso (36 professores municipais, 02 integrantes da Secretaria de Educação e 03 nutricionistas). O evento contou com a presença de profissionais de Maripá e Quatro Pontes. Os convidados discutiram e dividiram experiências sobre o cuidado com a saúde do professor. O foco inicial é direcionado para os professores, depois para os alunos, até chegar na comunidade.

 

Saúde Integrativa na Escola

O médico e professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Roberto Almeida, disse se tratar de uma proposta de inovação social no campo da saúde e da educação. “A ideia é integrar saúde e educação para que comecem a criar desde cedo bons hábitos que levarão para toda a vida. O ambiente de trabalho dos professores é bem estressante, por isso estamos fazendo a formação deles primeiro, para que façam a multiplicação dentro de suas escolas com outros professores e depois com os alunos. A principal mudança é consigo mesmo: alimentação, estresse, bem estar, depois é que vão começar o trabalho com as crianças”

 

A coordenadora pedagógica de Ciências da Secretaria de Educação, Vaníria Bianchi, é uma das coordenadoras do Saúde Integrativa de Toledo. “No primeiro encontro trabalhamos os hábitos salutogénicos, que são aqueles hábitos não só diários, mas mensais e anuais, que promovem a nossa saúde e impedem que ficamos doentes. Então ele vai desde questões alimentares, atividades físicas, mas não só uma questão de prática, mas você colocar na sua vida como um hábito. Entre essas questões está o relacionamento pessoal, no trabalho, nas suas amizades fora do trabalho e até ter um animal de estimação”, detalhou a coordenadora.

 

“No segundo módulo trabalhamos o pensamento sistêmico e as coisas que nos causam estresse. O terceiro módulo trabalhamos a comunicação não violenta e as conexões entre as pessoas. E nesse quarto módulo foi liderança e inovação. O objetivo da Saúde Integrativa é internalizar, promover uma mudança pessoal e, consequentemente, que essa mudança pessoal vai refletir nas situações do cotidiano familiar, de trabalho e na sua saúde para um futuro”, explica Vaníria.

 

Ela acrescenta que a ideia não é que o professor faça uma reprodução do que ele fez no curso, mas que ele mude os hábitos e, como reflexo, a sua atitude mude também. “Desta forma ele acaba atingindo seus pares onde quer que esteja”.  

 

Professores já apresentam resultados

Mesmo antes de concluir os quatro módulos, as professoras puderam perceber claramente uma necessidade de mudança nos comportamentos e avaliam os resultados de forma bastante positiva.

 

“Nós já tínhamos o conhecimento do que é importante para nossa alimentação, para nosso bem estar, tanto do corpo, quanto da mente. E agora estamos inovando colocando tudo isso realmente em prática”, declarou a professora de Maripá, Irani Moreira Kreutz.

 

Ela relatou ter impactado diretamente nos seus hábitos de vida. “Primeiro a gente se autoajuda e depois ajuda os demais. Nós vamos decidir no grupo quais as ações que vamos fazer para poder replicar da melhor forma essas informações, primeiro para os colegas e depois em sala de aula com os alunos. Estamos carentes de formações como essas, que tratam do bem estar do professor”, cobrou a professora.

 

De Toledo, a professora Leoni Inês Demarchi disse que “a gente percebe que existe a possibilidade da mudança. Na grande maioria das vezes achamos que não é possível. Justamente por isso, estou fazendo isso nas questões físicas, de exercício, de alimentação saudável e também no que diz respeito ao relacionamento com o outro, pois também trabalhamos o emocional”, comentou sobre a amplitude do projeto.

 

Leoni disse estar mais tranquila ao lidar com situações estressantes. “Hoje consigo lidar com as questões emocionais sem tanto conflito. Pra isso é preciso perceber as necessidades e desejos seus e do outro. Com a participação nos módulos consegui melhorar os relacionamentos. O projeto trouxe benefícios práticos e pude perceber essa mudança com um ótimo aproveitamento. São pequenas ações que podemos fazer todos os dias e que vão impactar ao longo do tempo. É não querer mudar o mundo, mas sim o entorno em que vivemos”, deixou claro a professora.

 

Os professores envolvidos nesses encontros tornaram-se multiplicadores. Sua função agora será desenvolver projetos semelhantes com os seus colegas, para que na sequência isso reflita no trabalho com os alunos e com a comunidade.