O prefeito Beto Lunitti, juntamente com a secretária de Saúde, Denise Campos, participou, nesta terça-feira (20), de um encontro na Câmara Municipal de Toledo para debater sobre o fechamento dos 10 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Bom Jesus (HBJ), previsto para o dia 26 de janeiro, devido à situação financeira da instituição. O encontro foi convocado pelo presidente da Câmara de Toledo, Ademar Dorfschmidt, e contou com a participação da chefe da 20° Regional de Saúde, Denise Liel, e dos representantes das Câmaras Municipais dos 18 municípios que a compõem, além de representante do HBJ e outras autoridades.
Diante do anúncio do Hospital Bom Jesus de fechamento de dez leitos de UTI e tendo em vista a grande demanda pelas unidades em Toledo e região oeste, os representantes públicos buscaram o diálogo para solucionar o problema. “Nós somos cobrados pela população e sabemos que é de fundamental importância garantir que estes leitos continuem atendendo nossa população”, comentou Dorfschmidt.
Presente no ato, o prefeito Beto Lunitti salientou o esforço do município em solucionar os problemas. “O município tem feito diversos esforços para garantir que os serviços continuem sendo realizados, tanto no Hospital como em outros equipamentos. Estamos produzindo os recursos necessários que estão ao nosso alcance e até mesmo recursos que não cabem a nós, pois a intenção é ajudar a solucionar”.
O prefeito lembrou que existe um recurso da Média e Alta Complexidade da Adesão à Contratualização (IAC) de aproximadamente R$ 1 milhão que foi depositado pelo Ministério da Saúde (MS) na conta dos municípios para repasse aos hospitais filantrópicos, a exemplo de Toledo, mas que não há como transferir. “Não estamos conseguindo realizar esse repasse e estamos trabalhando fortemente junto ao MS para que isso seja feito o mais breve possível. Foi um equívoco que esse recurso tenha vindo para o município e por isso esperamos solucionar este problema o mais breve possível. Já fui a Brasília especialmente para este assunto, com o intuito de encontrar uma forma de devolver esse recurso ao Ministério da Saúde para que ele seja repassado ao HBJ”.
No que diz respeito à Vigilância Sanitária, o prefeito afirmou que o município tem feito tudo o que é possível, inclusive em conjunto com a Vigilância Sanitária do Estado. “Estamos empenhados em manter o funcionamento destes leitos, sempre por meio do diálogo e de tratativas saudáveis, mas não podemos negligenciar esse serviço que é totalmente técnico e importante”.
A secretária de Saúde de Toledo, Denise Campos, também salientou o empenho para solucionar o problema. “Isso já acontece há bastante tempo e o HBJ é referência regional em média e alta complexidade. Nós dependemos do Hospital, pois estamos suprindo hoje uma demanda que não deveria ser nossa, mas sem o Hospital não teremos condições. Dentro do município estamos fazendo o que é possível, buscando o credenciamento dos leitos de UTI, por meio da licença sanitária, pois o Hospital está se adequando e uma nova vistoria deve ser realizada”.
A chefe da 20° Regional de Saúde, Denise Liel, afirmou que a atual situação do HBJ irá refletir em todos os 18 municípios. “Estamos diante de um momento de crise e podemos solucionar com ações imediatas, mas precisamos de uma solução definitiva. Licença sanitária é o início da conversa e para isso já temos um acordo com o município”. Denise Liel confirmou ainda, que atualmente o Governo do Estado conta com um débito a ser pago ao Hospital no valor de R$ 930 mil. “Hoje estamos em uma situação crítica com estes recursos presos e que são fundamentais para os pagamentos dos profissionais do HBJ. Precisamos nos posicionar a respeito do pagamento dos recursos e para isso vamos dialogar com o Hospital. Para desatarmos esse nó começamos com a licença sanitária. O estado está ciente e estamos mobilizados para o pagamento”, comentou.
Para o gerente administrativo do Hospital Bom Jesus, Cleiton Viana, existem duas situações emergências a serem resolvidas. “A primeira é financeira, em função dos atrasos já mencionados, nós também temos atraso com os profissionais médicos e terceirizados que podem parar de atender. A segunda situação e não menos urgente é viabilizar a UTI como atividade. Persistir no modelo que estamos atendendo é correr o risco de termos que abrir mão dos outros 122 leitos que temos via SUS. Precisaríamos reduzir o tempo para pagamento, pois já temos que bancar uma atividade que gera prejuízo, além disso, por cerca de dez meses”, explicou ele.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (ACIT), Luiz Eduardo Guaraná, e o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Dorival Moreira da Silva, também participaram do encontro. Segundo o presidente do Conselho, o encontro configurou um momento de construção de uma solução definitiva para o problema do HBJ. “Estamos prontos para ouvir para que posteriormente possamos tomar as decisões necessárias”.
A questão depende não só da vontade dos representantes públicos, mas principalmente dos recursos necessários para solucionar os problemas financeiros do Hospital Bom Jesus, segundo informou o presidente da Câmara Municipal, Ademar Dorfschmidt. “Por isso precisamos do empenho de todos nessa missão”. As autoridades presentes se comprometeram em realizar um encontro com os médicos do HBJ e a marcar agenda ainda essa semana, uma agenda com o secretário de estado da saúde, Michele Caputo Neto. O objetivo é impedir o fechamento dos leitos.
UPA
O prefeito Beto Lunitti destacou os avanços do município com a abertura da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor José Ivo Alves da Rocha, na Vila Becker, prevista para o dia 31 de janeiro. “Permanecendo estes leitos e com a abertura da UPA estaríamos dando, e vamos dar, um passo importante nos atendimento de urgência e emergência em Toledo. A vinda deste equipamento de saúde foi uma decisão acertada pela antiga gestão”, comentou ao lembrar que a unidade inaugurada em 2012 recebeu mais de R$ 380 mil de investimentos pela atual gestão para realizamos da infraestrutura externa, além de mais de R$ 700 mil do Governo Federal para compra de equipamentos.
O prefeito lembrou ainda, que o Governo do Estado garantiu recursos na ordem de R$ 4 milhões para implantação do Hospital Municipal, na grande Vila Pioneiro. “Estamos avançando e não podemos retroceder com a perda destes leitos de UTI”, comentou.
Vigilância Sanitária
Em resposta as cobranças em relação à licença sanitária – fundamental para o credenciamento dos 10 leitos de UTI do Hospital Bom Jesus – o vereador Rogério Massing destacou a importância de prudência com relação ao assunto. “Nós somos legisladores, fiscalizadores da Lei, então temos que apoiar a Vigilância Sanitária para que as coisas sejam feitas da forma que tem que ser feitas. Temos que saber que as pessoas do outro lado, que assinam, se responsabilizam e se acontecer qualquer coisa não teremos poder para defendê-las”. Massing afirmou ainda, há necessidade de buscar solução para o problema. “Se precisarmos fazer comitiva de vereadores para ir falar com o governador do Estado, vamos fazer, pois ele tem que resolver os problemas do Paraná e está comprometido”.
A secretária de Saúde do município lembrou que Toledo já tentou, em 2013, firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Hospital Bom Jesus para garantir o comprimento dos 359 itens da Vigilância Sanitária, com ampliação do prazo para regularização. “E na época o HBJ negou o acordo. Realizamos uma reinspeção e ao final do processo foi indeferida pela Vigilância Sanitária. Hoje foi solicitada uma nova visita de inspeção pelo HBJ para licença sanitária. A expectativa é que a nova inspeção seja feita com a ação conjunta da Vigilância Sanitária do Estado”, afirmou ela.
